''''Chávez é um louco'''', reage Tião Viana

Parlamentares de vários partidos criticam declarações do venezuelano

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2022 | 00h00

Integrantes de todos os partidos criticaram ontem as declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que durante encontro com o colega Luiz Inácio Lula da Silva, em Manaus, na quinta-feira, mais uma vez reclamou do Congresso brasileiro. Segundo Chávez, senadores e deputados brasileiros são servis aos Estados Unidos por atrasar a decisão sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul. Primeiro vice-presidente do Senado, o senador Tião Viana (PT-AC) disse que a iniciativa de Chávez deixa em dúvida sua sanidade mental.   Opine sobre as declarações de Chávez"Chávez é um louco, não tem estatura para ser presidente de uma nação, de um povo, de uma democracia. Aí confunde o espaço de poder com o espaço de uma ofensa gratuita", criticou. "Ou ele não nos conhece ou é um louco, respeito os loucos por um distúrbio biológico, agora, os que ofendem, a gente tem de reagir, não podemos ficar rindo com eles."O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) também foi ao ataque. "São afirmações ridículas, só uma pessoa com formação autoritária exacerbada, sem o menor senso do ridículo, é capaz de fazer uma declaração dessa. Ele está se tornando uma figura pitoresca, grotesca." Para o líder do DEM, senador José Agripino (RN), o ingresso da Venezuela no Mercosul deve ser reavaliado. "Diante de tanta fanfarronice, já estou achando melhor não aceitá-lo para não nos arrependermos amanhã dos incômodos da sua companhia", argumentou. Para Tião Viana, Chávez "deveria começar de novo a vida dele, aprendendo lições de humildade". "O Senado tem todos os defeitos, mas que os brasileiros os apontem."Ele também protestou contra declarações feitas em junho pelo venezuelano, quando chamou o Congresso de "papagaio dos EUA". "Sempre na vida militei e tive nos meus ideais uma ruptura com o modo da política americana, de permitir tanta injustiça global, como posso ser tachado de alguém conivente com essa política?" Já o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), considera ultrapassada a iniciativa do venezuelano de atacar a política norte-americana. "Essa questão do imperialismo americano, para nós, brasileiros, é coisa de um passado tão distante que não faz jus à inteligência de ninguém alimentar esse tipo de discussão", observou. "Hugo Chávez não pode dar lição em ninguém, o modelo de democracia que ele implanta na Venezuela não nos serve. Por isso ele não pode oferecer lição a ninguém."Sérgio Zambiasi (PTB-RS) também engrossou o coro. E classificou de "ofensa à soberania brasileira" as declarações do presidente venezuelano. "Ele (Chávez) vive um processo conflituoso com a democracia", definiu.NOTAO PSDB também divulgou uma nota em que defende a rejeição ao ingresso da Venezuela no Mercosul. "O Parlamento brasileiro é livre e soberano para votar quando e como entender melhor. E, a depender do PSDB, a Venezuela de Chávez não terá o ingresso aprovado", afirmou o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM).Presidente da Comissão de Relações Exteriores, Heráclito Fortes (DEM-PI) cobrou uma reação de Lula ao que classificou de "agressão" do venezuelano. "A omissão de Lula é preocupante", afirmou. O senador informou que a comissão divulgará uma nota, na sessão de terça-feira, repudiando esse tipo de atitude."O senhor Chávez precisa compreender que no Brasil os Poderes são harmônicos , mas independentes, esse tipo de pressão não funciona entre nós, o projeto (sobre o ingresso da Venezuela no Mercosul) está seguindo o ritmo normal e não iremos apressá-lo para atendê-lo", afirmou. "Em vez de atacar o Legislativo, que ele explique a prática de seu governo de transportar valores para países vizinhos em jatinhos suspeitos", disse Heráclito, referindo-se ao episódio em que um dos homens de confiança do presidente da Venezuela foi flagrado transportando dinheiro para a Argentina.

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