Chávez é "centroavante matador", diz Lula

Em mais um dia de muitas manifestações nas ruas de Caracas, tanto de protesto como de apoio ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, comparou-o a um "centroavante matador", pela "ousadia" com que tem conduzido o governo. Lula conversou com Chávez durante mais de quatro horas, na sua residência oficial.O petista disse que Chávez pode ser "às vezes impetuoso em excesso", mas ressalvou: "Não podemos esquecer que ele sempre respeitou a Constituição."Em mais uma comparação com o futebol, acrescentou que "o centroavante às vezes perde o gol porque não passou a bola para o companheiro". Antes de ser eleito, Chávez chegou a ser preso por tentativa de golpe militar na Venezuela.Na visão de Lula, que terminou nesta sexta-feira uma viagem de cinco dias por Cuba, Peru e Venezuela, não há paralelo entre o delicado momento vivido por Chávez, em confronto com empresários e trabalhadores, e um possível governo petista no Brasil. "As oligarquias brasileiras não são mais como antes", disse. Ele explicou que um governo do PT não seguiria os moldes de Chávez. "É melhor levar um ano para aprovar alguma coisa, discutindo, ouvindo pontos de vista, do que decidir rápido e depois enfrentar resistências", afirmou, referindo-se ao fato de o presidente venezuelano ter assumido amplos poderes para tomar medidas econômicas sem ouvir a população, o que motivou a crise atual.Lula não passou perto das manifestações contra Chávez, que enfrentará paralisação de 12 horas na segunda-feira, organizada por empresários e sindicatos, mas teve pequena amostra ao chegar com o carro cedido pela Embaixada do Brasil, à casa de Chávez. Cerca de 20 venezuelanos protestavam no portão, com cartazes. Alguns deitaram-se na rua, outros gritavam palavras de ordem. A comitiva seguiu sem transtornos.Repetindo a frase "se for candidato", Lula afirmou que um governo do PT teria uma política internacional de menos submissão aos Estados Unidos e mais integração com a América do Sul. Ele defende a criação do Parlamento do Mercosul, para debater a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como foi discutida a criação da União Européia.Lula repetiu que não limitará seus encontros a Cuba, Peru e Venezuela e, sobre o sentido da reunião com Chávez, disse: "Não vou ficar escolhendo o presidente com quem converso pelas pesquisas de popularidade. Se fosse assim, FHC não receberia ninguém."Lula fez uma viagem típica de candidato que busca apresentar suas idéias de integração aos países vizinhos. Ao comentar o crescimento da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), disse não acreditar que ela se torne um fenômeno eleitoral, apresentando-se como grande novidade especialmente por ser mulher. "Aqui mesmo na Venezuela teve uma ex-miss candidata, chegou a 40% nas pesquisas e depois sumiu", lembrou.Para ele, no momento Roseana "é problema do PSDB, não do PT". Lula admitiu, porém, que prefere um segundo turno com um candidato do governo. E explicou que um adversário governista garantiria para o PT os votos dados a outros candidatos da oposição no primeiro turno. Já numa disputa com outro oposicionista os votos dados a governistas poderiam migrar para o candidato não-petista.A comitiva petista, que inclui o governador do Acre, Jorge Viana e o ex-governador Cristóvam Buarque, voltou hoje à noite para o Brasil. Na segunda-feira, Lula fará uma primeira discussão sobre o programa do PT para segurança pública.

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