Dida Sampaio/AE
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Chávez diz que irá ao Brasil para retribuir visita de Lula

Presidente da Venezuela se reuniu nesta quinta-feira com Dilma Rousseff em Caracas; brasileira chegou atrasada à reunião, que inicialmente teria a participação da argentina Cristina Kirchner

Lisandra Paraguassu, enviada especial de O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 21h13

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu ir em breve, provavelmente em dezembro, ao Brasil para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em tratamento quimioterápico para combater um câncer na laringe. "Ele veio me visitar, então agora eu tenho planos de ir vê-lo", disse Chávez, em breve conversa com jornalistas um pouco antes da chegada da presidente Dilma Rousseff ao Palácio de Miraflores, em Caracas, onde foi recepcionada em sua primeira visita à Venezuela.

 

Chávez revelou que já conversou com Lula por três vezes. A última delas no final de novembro, quando o ex-presidente propôs a Chávez que fizessem uma "cúpula dos presidentes com câncer" - além dos dois, a lista inclui Dilma e o presidente paraguaio, Fernando Lugo. Chávez voltou a falar da "cúpula", mas deu a entender que a ideia havia sido sua. "Vamos fazer a cúpula dos presidentes que venceram o câncer. Porque Lula vai vencer o câncer", afirmou.

 

"Eu e Lula somos irmãos. Somos mais que irmãos. Somos, como já disse Fidel Castro, esses tipos que andam por aí fazendo coisas, como Dilma, Cristina (Kirchner, presidente da Argentina), Néstor (Kirchner, ex-presidente argentino morto este ano)", afirmou Chávez.

 

Atraso. A presidente Dilma Rousseff chegou com duas horas de atraso ao Palácio de Miraflores para o encontro bilateral com o presidente venezuelano. O encontro, que deveria ser trilateral - incluindo também a presidente argentina Cristina Kirchner -, terminou sendo apenas bilateral por conta do atraso da presidente brasileira.

 

Dilma aterrissou em Caracas em torno de 16h, mas demorou para chegar ao Palácio por conta do complicado trânsito da capital venezuelana. Acompanhada de quatro ministros - Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Aloizio Mercadante, da Ciência, Tecnologia e Inovação; Antonio de Aguiar Patriota, das Relações Exteriores; e Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência - a presidente foi recebida por Chávez, passou em revista as tropas e ouviu a execução do hino brasileiro, cantado em português pelos soldados.

 

O encontro privado de Dilma com Chávez, ao contrário da conversa do venezuelano com Cristina Kirchner, que foi transmitida ao vivo pela rede de tevê de Miraflores, foi fechado e sem transmissão para a sala de imprensa. De acordo com Chávez, que conversou brevemente com a imprensa antes da chegada de Dilma, os dois tratariam de convênios na área de habitação e de tecnologia. Também deve entrar na pauta a refinaria Abreu e Lima, cuja construção deveria ser compartilhada pelos dois países. Até agora, no entanto, a Venezuela não pagou sua parte. Ontem, foi anunciado mais um prazo de 60 dias. "Vai adiante. Temos tido problemas, como muitos outros, mas esse é um projeto estratégico, tanto para Brasil quanto para Venezuela", afirmou Chávez.

 

 

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