Chávez diz estar disposto a uma 'conversa dura' com Lula

Presidentes venezuelano e brasileiro se encontram em Manaus; Chávez quer falar sobre refinaria em PE

Denise Chrispim Marin, do Estadão,

20 de setembro de 2007 | 17h46

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano Hugo Chávez se reuniram nesta quinta-feira, 20, em Manaus, em um almoço no hotel Tropical. Chávez disse estar disposto a ter uma "conversa dura" com o presidente sobre o acordo entre a Petrobrás e a PDVSA para a construção da refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco. Após o encontro, os dois presidentes participam da cerimônia de assinatura de atos e darão uma declaração à imprensa.  Veja também:  'Qualquer analfabeto pode plantar um pé de petróleo', diz Lula  Lula aponta 'pessimismo' dos brasileiros como problema do País  Ao ser questionado sobre a informação de que a PDVSA estaria pleiteando ficar com 60% do controle acionário da refinaria Abreu Lima, Chávez reagiu: "Isso é uma mentira. O que você está repetindo é uma mentira". A pretensão da PDVSA foi, no entanto, confirmada pelo Itamaraty e pala Petrobras. Chávez afirmou ainda estar chateado e que lhe dá pena o atraso nas obras da refinaria. Reclamou ainda que desde a cerimônia de colocação da pedra fundamental já se passaram dois anos. O atraso, na sua opinião, se deve à burocracia do governo brasileiro e da Petrobrás. Lembrou que há dois anos, em Manaus, havia conversado com Lula que se ambos os países não vencessem a burocracia, não haveria integração na América do Sul. "Eu estou encarregado da minha parte. A Venezuela está pronta (para a construção da refinaria) há tempos", disse. Em relação a outro tema que complica a agenda energética Brasil-Venezuela, a construção do gasoduto do Sul, Chávez igualmente rebateu advertências feitas pela Petrobrás de que não há certeza sobre a capacidade das jazidas de gás de Mariscal Sucre, principal fonte do gás que escoará pelo gasoduto.  A Petrobras reclama que, apesar de seus insistentes pedidos, a Venezuela nunca apresentou a certificação destas jazidas. "Há opiniões da Petrobrás que eu não entendo", afirmou Chávez para, em seguida, declarar que essas são as maiores reservas de gás do mundo. À imprensa, o presidente Venezuelano fez um relato de uma recente conversa com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na ocasião, Putin teria dito que a direita da União Européia havia se oposto a construção do gasoduto que liga as reservas deste país ao mercado europeu. Segundo relato de Chávez, Putin teria lhe dito: "Eles (os vizinhos americanos) vão ter que bater à sua porta. Senão a luz vai se apagar."  De acordo com Chávez, os países vizinhos já estão batendo à sua porta e já estão sem energia. Ao final da entrevista, em um tom mais brando, o presidente da Venezuela afirmou que está disposto a resolver todos os problemas e a trabalhar pela integração regional.

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