Chávez compara Haiti ao Iraque

Em palestra a estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, transmitiu uma mensagem aos soldados do Brasil e da América Latina. "Malditos sejam os soldados que erguem suas armas contra seu próprio povo. Nunca mais militares da América Latina devem fazer ocupações a serviço do imperialismo norte-americano", afirmou numa referência ao Haiti. Chávez, no entanto, evitou criticar diretamente o governo brasileiro pelo envio de tropas para aquele país. "Temos de respeitar a decisão do Brasil. O País é livre para tomar decisões e temos de ajudar o Brasil para que continue a ajudar o Haiti", disse Chávez.Durante a palestra sobre a integração da América Latina, Chávez comparou a situação do Haiti com a do Iraque. Segundo ele, em ambos os países não há governo mas intervenção militar. "Apesar de toda a dor dos povos do Iraque e do Haiti, eles estão desafiando o império mais poderoso do mundo". Na única referência à reeleição de George W. Bush, Chávez disse que o presidente norte-americano "espalhou a loucura no mundo". "Se ele vier com a mesma carga de agressões, bombardear cidades sem se importar com crianças inocentes, ignorar leis internacionais, surgirá um Vietnã, dois Vietnãs, três Vietnãs na América Latina e no mundo".Chávez voltou a fazer críticas indiretas à Cúpula do Grupo do Rio. "Em seis anos de governo, toda cúpula ou grupo de que participei terminou defendendo maior flexibilização de crédito do FMI e Banco Mundial para países pobres. Temos que ter dignidade. Temos de pedir respeito aos nossos povos". Ele defendeu a criação de um Fundo Monetário Sul-americano e de um Banco Sul-americano de Desenvolvimento, que receberiam parte das reservas cambiais dos países.A palestra de Chávez na UFRJ foi tumultuada. Cento e cinqüenta estudantes, impedidos de entrar no Auditório Pedro Calmon, já lotado, tentaram invadir o prédio da universidade. Os manifestantes alegaram que apenas alunos ligados à União Nacional dos Estudantes foram convidados. A Reitoria da UFRJ informa que a limitação foi uma exigência do corpo de segurança do presidente Chávez.Os estudantes esperaram quatro horas para ver Chávez.

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