Chávez agradece a Lula e deputados a votação

Venezuelano comemora aprovação à entrada no Mercosul e nega ditadura

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez um agradecimento público ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a deputados brasileiros, diante da decisão tomada na quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de aprovar o ingresso de seu país no Mercosul. Chávez, que participou na noite de quinta-feira de um ato com trabalhadores em Caracas, estendeu o gesto ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e ao secretário-executivo do Itamaraty, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Ainda assim, Lula foi colocado pelo colega na origem das articulações em favor da aprovação. "Vamos agradecer aos senhores e senhoras deputados do Brasil, a Lula, ao chanceler Celso Amorim. Vou a agradecer pessoalmente a meu amigo vice-chanceler Samuel Pinheiro Guimarães, muito amigo, um intelectual brasileiro de quem gosto e que respeito muito, há muito tempo", afirmou Chávez, de acordo com informações da agência de notícias EFE.O agradecimento foi feito por Chávez diante de uma platéia de sindicalistas e trabalhadores alinhados com o governo, que se reuniram em uma manifestação de apoio à reforma constitucional que será submetida a um plebiscito no dia 2 de dezembro. Pinheiro, em especial, foi tratado por Chávez como peça-chave das articulações para o ingresso de seu país no bloco. Mas o embaixador, segundo ele, liderou as negociações no Congresso a mando do presidente Lula."Lula mandou Pinheiro ao Congresso para defender a Venezuela", afirmou Chávez, que aproveitou para rebater mais uma vez a tese de que comanda um governo ditatorial. "Porque há alguns que dizem que a Venezuela é uma ditadura. Mas aqui não há ditadura. Alguns se confundem, em decorrência das campanhas da mídia."ESPERA Aprovada na CCJ da Câmara na quarta-feira, a entrada da Venezuela no Mercosul precisa passar por votação no plenário da Casa e ser submetida à avaliação do Senado. Além disso, esse processo ainda precisa ser concluído no Paraguai, outro integrante do bloco que até agora não ratificou no Congresso o protocolo que trata do assunto. O documento foi assinado pelos quatro países do Mercosul e pelo governo venezuelano em julho do ano passado, mas, até agora, foi ratificado apenas na Argentina e no Uruguai.Nos últimos meses, o presidente venezuelano mostrou-se impaciente com a demora do Congresso brasileiro em confirmar o apoio. Em julho, Chávez ameaçou retirar o pedido de entrada da Venezuela no bloco, caso Brasil e Uruguai não aprovassem a adesão até setembro. Na época, disse que a demora dos dois países em submeter o tema aos congressistas significaria uma "falta de respeito". A pressão gerou até reações do presidente Lula, que desafiou Chávez a abandonar as intenções de ingressar no bloco. "Se não quiser ficar, não fica", afirmou ele. Apenas um mês antes, Chávez havia batido de frente com parlamentares brasileiros, em meio ao episódio envolvendo o cancelamento da concessão da rede de televisão venezuelana RCTV. Diante das críticas de parlamentares brasileiros, Chávez chamou o Congresso Nacional de "papagaio" dos Estados Unidos.

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