Chances de evitar o racha no PMDB são poucas

Tem pouquíssimas chances de êxito a articulação paraconstruir uma candidatura de consenso e evitar o racha do PMDB na briga pela presidência do partido na convenção de setembro. Depois de duas horas de conversa com o deputado Michel Temer (PMDB-SP), que trabalha para ser o candidato da unidade partidária, o vice-governador de MinasGerais, Newton Cardoso (PMDB), descartou a possibilidade de o governador Itamar Franco (PMDB-MG) não disputar o comando nacional do PMDB."Foi apenas um início de diálogo, mas há espaço para oentendimento e eu vou buscar a garantia de que ele será o candidato do partido na corrida presidencial de 2002", disse Michel ao final do encontro. "Mais que um deputado, o Michel é um embaixador e vamos conversar sempre,porque temos a linguagem comum em favor da candidatura própria", completou o vice-governador. Depois da despedida, porém, Newton Cardoso garantiu que Itamar "não pode, nem vai desistir" de comandar o PMDBporque não existe garantia possível que lhe assegure a candidatura ao Planalto, pelo PMDB.Temer não está sozinho na articulação em torno da candidatura da unidade. Com este mesmo objetivo, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), bateu à porta do ex-deputado Paes de Andrade na noite de terça-feira. "Vamos unir o partido", propôs Renan a Paes, que sódesistiu de disputar a presidência do partido para abrir espaço a Itamar, seu candidato em 2002. Renan ainda insistiu no nome do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para unir o partido, mas Paes informou-lhe ter ouvido do próprio Sarney que isto é impossível porque ele não aceitaria a missão em hipótese alguma."Não há unidade: há o confronto e nós vamos para esta disputa com Itamar, para vencer", encerrou Paes, acusando a ala governista do partido de trabalhar o consenso em torno de interesses do Palácio do Planalto. "O Newton só veio a Brasília almoçar com Michel por cortesia, porque a candidatura dele está a serviço do Planalto", acusou oex-deputado.No almoço com Temer, o vice-governador explicou que a renitência de Itamar em candidatar-se ao governo não era um movimento contra ele. Segundo Cardoso, o governador de Minas está "muito marcado" pelo episódio da convenção passada, em que sua candidatura à presidência foirejeitada em favor da reeleição de Fernando Henrique Cardoso. "Quem foi mordido por cobra tem medo de lingüiça", argumentou. "Pois vamos buscar o entendimento para mostrar ao governador que o PMDB agora é lingüiça,e não cobra", propôs Temer."O problema é que o presidente Fernando Henrique tem o defeito de se meter demais no PMDB, e isso atinge Itamar", ponderou Cardoso ao salientar que, se o governador for derrotado em sua pretensão, sairá do partido. Como a sugestão de antecipar o confronto com a ala governistae disputar o comando do partido foi dada pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, correligionários de Itamar avaliam que, em caso de derrota, o PDT será seu caminho natural.Os "itamaristas" estão convencidos de que o Planalto está jogando no racha do PMDB e acreditam que a candidatura de Temer faz parte desta estratégia. Eles têm esperanças de convencer o deputado a desistir do confronto, oferecendo-lhe apoio para construir sua candidatura ao governo de São Paulo, com a ajuda de Orestes Quércia, que derrotouO grupo de Temer na disputa pelo PMDB paulista. Cortês, Cardoso elogiou a iniciativa de Temer, de propor a saída dos ministros do PMDB em setembro, mas admitiu que o desembarque não será tarefa fácil. "Se o PMDB sair deste governo, o governo acaba", opinou.Temer ainda acenou com a negociação de medidas concretas em favor da candidatura Itamar ao Planalto. Citou o desembarque do governo em setembro, com o compromisso de demissão dos ministros do PMDB, e a antecipação das prévias eleitorais no partido, com o lançamento deItamar na convenção. Nada feito. "Isso não adianta", desdenhou Cardoso."Itamar já está decidido a disputar, porque acredita que o partido que não o quiser na presidência também há de querê-lo candidato a presidente da República".

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