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Chalita diz que Serra fala inverdades e cobra explicação sobre Paulo Preto

Para candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, convocação de ex-diretor da Dersa à CPI do Cachoeira é significativa

Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2012 | 21h27

O candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, deputado federal Gabriel Chalita, cobrou nesta terça-feira, 10, que o ex-governador e adversário na corrida eleitoral, José Serra (PSDB), dê explicações sobre sua relação com o ex-diretor da empresa estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. O nome de Preto voltou à evidência, porque ele foi convocado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o envolvimento do contraventor Carlinhos Cachoeira e da empreiteira Delta Construções com o governo.

Chalita comentou o impacto do julgamento do mensalão e da CPI do Cachoeira na campanha à prefeitura. Para ele, as diferentes versões dadas por Serra sobre conhecer ou não Preto e o julgamento do mensalão, maior escândalo do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vão influenciar a disputa.

Nesta terça, o peemedebista listou ainda outra polêmica que envolve a gestão de Serra na Prefeitura – a investigação do suposto enriquecimento ilícito de Hussain Aref Saab, diretor que aprovava edificações no Município – e declarações públicas do tucano de que cumpriria os quatro anos de mandato se eleito em 2004, o que não ocorreu.

“O governador José Serra disse que não conhecia o Paulo Preto, depois teve que dizer que conhecia. Acho que essas questões são relevantes. Como a história do Aref que o Serra dizia que não nomeou. Depois saiu (na imprensa) que ele nomeou. Essas inverdades vão pesar também na campanha. Ele tem muito o que explicar a respeito dessas declarações que fez anteriormente”, cobrou o peemedebista.

Ligado aos tucanos, Preto atuou na Dersa em obras de estradas paulistas. Ele deve depor sobre contratos da estatal com a Delta Construções. A construtora já foi declarada inidônea e perderá contratos públicos. Mas segue na mira das investigações dos parlamentares, por causa de suposta ligação com o esquema de Cachoeira.

O nome de Paulo Preto veio à tona na campanha presidencial de 2010, quando ele foi acusado de desviar dinheiro que teria sido arrecada de forma irregular para o caixa tucano. Preto negou e sustentou conhecer Serra – contradizendo o ex-governador, que dera entrevista antes afirmando não conhecê-lo. Depois da declaração pública de Preto, Serra mudou a versão e disse ter se confundido. Desafeto declarado de Serra, Chalita ajudou à época a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT).

Chalita também afirmou que o mensalão pode atrapalhar o candidato petista Fernando Haddad. Mas que a relação não é direta, porque ele não esteve ainda envolvido no caso: “Acho que pode (ser negativo a Haddad). Não é matemático, isso. Depende, porque o candidato do PT até aqui não tem nenhum envolvimento com o mensalão”.

“Não vai ser um fator decisivo, mas acho que vai impactar, porque as pessoas vão acompanhar não só o julgamento do mensalão como a CPI do Cachoeira e quem foi convocado de todos os lados. Não teve muito impacto ainda a convocação do Paulo Preto, mas é significativa, está muito ligada ao governo do Estado e ao ex-governador José Serra. Então, tem ali elementos que eu espero que possam explicar uma série de problemas que estão acontecendo na política brasileira. Quanto mais eles (parlamentares) não protegerem lado nenhum e passarem isso a limpo, melhor é para a política”, pregou Chalita durante visita à favela Real Parque, zona sul da capital paulista.

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