Luciana Prezia/AE
Luciana Prezia/AE

Chalita dá cargo 'decorativo' a deputado para apaziguar PMDB

Jooji Hato que era cotado para ocupar a vice da chapa, foi preterido por decisão da cúpula

Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 16h25

O deputado federal Gabriel Chalita (PMDB), pré-candidato a prefeito de São Paulo, afagou publicamente nesta terça-feira, dia 3, o deputado estadual Jooji Hato. O parlamentar estava insatisfeito por ter sido preterido na indicação do vice para disputar as eleições paulistanas. Em tentativa de evitar mais uma crise interna, desta vez com líderes do PMDB paulista, Chalita deu a Jooji o cargo de presidente da coligação peemedebista com os nanicos PSC, PTC e PSL. "É um cargo de ajudar na coordenação e ouvir os vereadores", explicou Chalita.

Na prática, historicamente o posto oferecido a Jooji tem pouca influência sobre campanhas. A função principal é representar os partidos coligados na Justiça Eleitoral. Apesar disso, Jooji foi apresentado por Chalita com pompa durante encontro com pré-candidatos a vereador no centro de São Paulo. Tudo para agradar ao deputado, que foi vereador por sete mandatos em São Paulo.

"O Jooji é o presidente de nossa coligação toda. Obrigado, Jooji. Vamos aplaudir o Jooji", pediu Chalita. "Quantas eleições, Jooji? Sete de vereador e uma de deputado, né? Oito vitórias."

No evento, Chalita deu a palavra publicamente a Jooji pela primeira vez depois de escolher Marianne Pinotti para vice, em detrimento do parlamentar. Pediu que ele desse dicas aos pré-candidatos a vereador.

"Ainda me sinto vereador. Sem trabalho, sem consumir a sola do sapato e sem a conversa revertendo os votos a gente não vai conseguir", disse um sorridente Jooji, que saudou Chalita como "homem do povo" e a escolhida Marianne. "Queria cumprimentar a Marianne, colega, filha do nosso saudoso doutor Pinotti."

Assim que percebeu que as tratativas com PC do B, PP e PTB estavam prestes a fracassar, Jooji colocou-se à disposição do partido para ser vice de Chalita. Em seu favor, contariam a origem de família japonesa - que poderia garantir votos na colônia - e o fato de ser médico e ter reduto eleitoral na zona sul da capital paulista.

Além disso, Jooji era um dos deputados que acompanhavam com mais frequência as agendas públicas de Chalita. Ia aos encontros de bairro sempre ao lado do filho George Hato, que tentará se eleger vereador no rastro do pai.

Mas a vice ficou com Marianne - também médica, filha do ex-deputado José Pinotti e filiada em 2011 ao PMDB. Ela era a preferida de Chalita. A escolha, justificada em parte por ela ser mulher, criou um mal-estar. Chalita e Marianne reconheceram que houve resistências à indicação. Deputados reclamaram que a decisão partiu da cúpula - Chalita e o vice-presidente da República, Michel Temer - e que foram apenas comunicados da nomeação de Marianne na quinta-feira, dia 28 de junho.

Os peemedebistas tiveram no mesmo dia 28 uma negativa de Campos Machado, do PTB, que fechou com Celso Russomanno. Àquela altura, havia também nomes indicados pelos coligados, como o presidente estadual do PTC, Ciro Moura. Adversários de Chalita chegaram a sondar PTC e PSL para desistirem do apoio ao peemedebista e aderirem à candidatura de Russomanno. Não havia acordo sobre como lançariam a chapa de vereadores, que no fim de semana transformou-se em um chapão com 60 nomes do PMDB, 30 do PSC, 10 do PTC e mais 10 do PSL (110 ao todo).

"O PMDB está unido e os outros partidos estão unidos. Não há problema nessa campanha", frisou Chalita. "É claro que é natural várias pessoas quererem sair candidato a vice. Aí você chega a um nome, chama as outras pessoas, mostra que elas teriam condições também, mas que por uma série de razões a escolha se deu nessa pessoa. Mas todo mundo tá feliz."

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012Gabriel ChalitaPMDB-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.