Chalita assume dependência de horário eleitoral para alavancar campanha

De acordo com peemedebista, a pesquisa Ibope reflete que quem disputou eleição majoritária antes está na frente

Felipe Frazão, de O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 16h49

O deputado federal e pré-candidato do PMDB a prefeito de São Paulo, Gabriel Chalita, assumiu na manhã desta sexta-feira, dia 11, que sua candidatura depende diretamente do horário eleitoral gratuito na televisão para ser alavancada. Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira, dia 9, mostrou o peemedebista com apenas 6% das intenções de voto, atrás dos adversários José Serra (PSDB) com 31%, Celso Russomanno (PRB) com 16%, Netinho de Paula (PC do B) com 8% e Soninha Francine (PPS), que tem 7%. A propaganda gratuita na televisão começa somente no dia 21 de agosto, 47 dias antes da eleição.

“Não imaginávamos resultado diferente. Antes do horário eleitoral não vai mudar muito o cenário de pesquisa”, disse Chalita. “Está na frente quem disputou eleição majoritária antes. Quem não disputou não vai crescer agora, vai crescer em agosto. Quando começarem os debates e o horário eleitoral, aí o panorama muda.”

“Ele está numa posição de destaque. O Serra tem um recall violento, o Russomanno foi candidato a governador e está na mídia, o Netinho também aparece na TV e disputou o Senado. E a Soninha, a Prefeitura. O Chalita não nunca disputou majoritária, nem o Haddad. Mas o Chalita não tinha obrigação nenhuma de ter o dobro do Haddad (que teve 3%)”, analisa o presidente do PMDB paulista, deputado estadual Baleia Rossi.

O PMDB havia apostado numa performance melhor, com pelo menos 9% como havia indicado pesquisa própria da legenda – disse um dirigente histórico do partido. O direção estadual colocou Chalita nas inserções do programa partidário na TV no fim de abril para torná-lo mais conhecido e potencializar a pré-candidatura. Chalita apareceu em rede aberta como presidente municipal da sigla e protagonista do projeto peemedebista para debater trânsito, saúde, educação, violência e as mazelas do crack na capital paulista - temas que ele costuma abordar em entrevistas e palestras como pré-candidato.

Mesmo com o esforço de exposição, Chalita não conseguiu evoluir. Na pesquisa Datafolha, de março, o deputado tinha 7%. “A inserção não muda, porque as pessoas não identificam que a pessoa da inserção é o candidato a prefeito. Você não diz na inserção: ‘eu sou o candidato a prefeito, eu vou governar...’ Então, quem não conhece até olha com simpatia a inserção, mas ela não muda”, disse o peemedebista.

Fora as aparições, o deputado têm participado de uma agenda de pré-campanha em todos os fins de semana e por pelo menos três dias úteis, com reuniões em sindicatos, associações comunitárias e profissionais. Chalita manteve em paralelo a rotina de palestras em escolas e faculdades – as quais já fazia. Para Baleia Rossi, essas ações influenciam pouco na eleição paulistana dissociadas da exposição de massa da TV: “É um grãozinho de areia.” Segundo o peemedebista, é preciso preparar a base de vereadores e conquistar mais tempo de TV em alianças partidárias.

Trunfo. Com base em sua taxa de rejeição, apenas 11% dos entrevistados pelo instituto não votariam nele de jeito nenhum, o PMDB avalia que a pré-candidatura de Chalita tem potencial de crescimento. Dirigentes se dizem satisfeitos com o resultado da pesquisa por causa da baixa rejeição. “Tem muita gente ainda não sabendo em quem vai votar. Sinto que essa vai ser uma eleição de muito debate e discussão”, disse Chalita.

Multa. A Justiça Eleitoral discorda da avaliação do deputado e dos advogados do partido, que alegam que ele não protagonizou uma peça publicitária de cunho eleitoral na TV. Por isso, o PMDB e Chalita foram multados, cada um, em R$ 5 mil, acusados de propaganda antecipada pelo PSDB. O PMDB resolveu recorrer da multa.

 

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