Marcelo Camargo/Ag. Brasil
Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Chacotas com Renan e quase 'climão' entre Maia e Onyx: os bastidores da festa de Alcolumbre

A certa altura da festa, um senador que já dava sinais de embriaguez disse considerar Maia 'muito chato'

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2019 | 20h23

BRASÍLIA - Horas após ser eleito presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) recebeu um seleto grupo de convidados na residência oficial para comemorar. O Estado acompanhou e traz abaixo os bastidores da festa.

O evento teve conversas, em tom de chacota, sobre o candidato derrotado Renan Calheiros (MDB-AL) e, por minutos, quase uma saia-justa. Convidados para a festa, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o presidente reeleito da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passaram pelo local em horários diferentes e não se encontraram. Os dois são antigos desafetos.

Onyx esteve no evento por pouco menos de uma hora. Cumprimentou Alcolumbre, deputados e senadores. Foi embora pouco antes de Maia chegar. O deputado estava fora de Brasília e ligou para avisar que estava a caminho. A eleição do senador foi atribuída à articulação política do ministro. Já a de Maia, a despeito desta mesma articulação.

A festa de comemoração, que durou até a madrugada de domingo, foi organizada às pressas por aliados do senador do Amapá. A residência oficial já havia sido solicitada na véspera, mas um grupo de novos senadores precisou se dividir para que ela acontecesse.

Enquanto uns cuidavam da comida, outros tratavam de garantir as bebidas: vinho, whisky e água. Alcolumbre não bebe. No buffet, montado sobre um aparador da sala principal, foi servido arroz, carne com molho e salada. A comemoração, que o Estado acompanhou, coincidiu com o aniversário do pai do senador, que saiu do Amapá para ver a vitória do filho. Políticos locais também estavam presentes.

Sem música ambiente, a maioria das conversas se dava ao pé do ouvido. Alcolumbre era o mais procurado. Distribuía abraços e, a todo momento, era chamado para trás de uma pilastra na entrada da casa para tratar de assuntos particulares. Embora não tenha encontrado Onyx, Maia não escapou de outra saia-justa.

A certa altura da festa, após algumas taças de vinho, um senador disse o considerar "muito chato". Um deputado tratou logo de defender o colega, atribuindo a fama à timidez do presidente da Câmara, que riu.

Nas rodinhas, o assunto era um só: a análise das estratégias que levaram o grupo de Renan Calheiros (MDB-AL) à derrota e as que elegeram Alcolumbre. Durante a festa, senadores comentavam, em tom de chacota, uma das estratégias adotadas pelo grupo de Renan para intimidá-los.

"Isso daqui não é a Câmara dos Deputados" ou "Isso aqui não é Câmara Municipal, aqui tem comando" eram frases atribuídas a aliados do emedebista. "Achavam que, assim, a gente ia ficar com medo. Mas eles não perceberam que o Senado, mais do que a própria Câmara, mudou de perfil e esse tipo de ameaça não funciona mais", afirmou um senador que pediu para não ser identificado.

Ao Estado, Alcolumbre afirmou que não conseguia dormir direito havia cinco noites e que precisaria de ao menos um dia para descansar. Mesmo assim, prometia a aliados procurá-los ontem para tratar da formação da Mesa Diretora e dos comandos das comissões da Casa.

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