Chacina de Unaí: delegado reforça acusação contra fazendeiros

Acusados de mandar matar auditores fiscais em 2004, os irmãos Norberto e Antério Mânica não serão julgados nesta semana; irão a julgamento três réus apontados como executores do crime

Flórence Couto, Especial para o Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2013 | 19h03

No primeiro dia do julgamento de três dos oito acusados de envolvimento na Chacina do Unaí (MG), nesta terça-feira, 27, em Belo Horizonte, o delegado da Polícia Federal Antônio Celso dos Santos, responsável pelas investigações do caso, reafirmou acusações contra os irmãos Norberto e Antério Mânica. Os fazendeiros, que estão entre os maiores produtores de feijão do país, são apontados como mandantes do crime.

A procuradora da República em Minas Gerais, Miriam Moreira Lima, reforçou a denúncia afirmando que testemunhas disseram que Antério e Norberto Mânica continuam depositando dinheiro nas contas dos três réus que estão sendo julgados nesta terça-feira. Rogério Alan Rocha Rios, William Gomes de Miranda e Erinaldo de Vasconcelos Silva cumprem prisão preventiva acusados de serem os executores da chacina.

Os fazendeiros, no entanto, não irão a julgamento nesta semana. Norberto Mânica só irá a juri popular em 17 de setembro junto com outros três réus e o julgamento de Antério Mânica, do ex-prefeito de Unaí, não tem data definida. Durante o processo, as defesas dos irmãos negaram qualquer envolvimento com as execuções.

Em janeiro de 2004, três auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego – Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonsalves – foram assassinados em uma emboscada que vitimou também o motorista Aílton Pereira de Oliveira. Eles fiscalizavam produtores rurais no noroeste de Minas e investigavam denúncia de trabalho escravo em fazendas de feijão de Unaí.

Nesta terça-feira, no início o julgamento, o delegado da PF Antônio Celso foi a primeiro a testemunha a depor. Ele disse ainda que os réus Erinaldo de Vasconcelos , William Gomes e Rogério Rios, que também só serão julgados em setembro, confirmaram que os irmãos Mânica estavam dispostos a matar os fiscais porque "estavam multando demais".

Durante duas horas e meia, o delegado respondeu às questões feitas pelo advogado Sérgio Moutinho, que defende Rogério Rios. Moutinho tentou desqualificar a investigação e afirmou que seu cliente estava em Salvador (BA) no dia do crime, trabalhando como motorista de um espanhol. Mas segundo a Polícia Federal, ficou comprovado durante as investigações que o estrangeiro só entrou no Brasil no dia 8 de fevereiro.

Moutinho também mostrou trechos do vídeo do depoimento prestado por seu cliente à Polícia Federal. "Rogério fez a confissão com sede e fome e teve um tratamento diferenciado", afirmou o advogado.As imagens acabaram por incriminar ainda mais o réu, na opinião do assistente de acusação, Antônio Francisco Patente. "Os jurados são leigos e interpretam o que veem", afirmou, referindo aos vídeos apresentados.

No início da noite, foi ouvido o policial militar Matuzalem Silvério da Silva. Ele confirmou que comprou a pistola 380 usada por Erinaldo de Vasconcelos para matar as vítimas. Matuzalem negou saber que a arma tinha sido usada no crime.

Os réus Rogério Rios, William Miranda e Erinaldo de Vasconcelos estão sendo julgados por um juri formado por cinco mulheres e dois homens. A expectativa é que o julgamento prossiga até a próxima sexta-feira.

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