CGU já apura suspeitas de desvio, diz Lula

Em São Paulo, presidente ressaltou que PAC ?não precisa de intermediários?

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2008 | 00h00

Em meio às suspeitas de desvios de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o próprio governo se encarregou de investigar as ações. Questionado sobre os desdobramentos da Operação João de Barro, desencadeada na sexta-feira pela Polícia Federal , Lula disse que o PAC "não precisa de intermediários". E destacou que a Controladoria-Geral da União está empenhada em assegurar que o dinheiro liberado para obras seja, de fato, aplicado no seu destino."O PAC está sofrendo uma investigação pelo próprio governo. É a Controladoria-Geral que está fazendo a investigação", afirmou ele, numa rápida entrevista ontem, em São Paulo, onde esteve na abertura de evento do Instituto Ethos e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. Acompanhado dos ministros Miguel Jorge (Desenvolvimento), Fernando Haddad (Educação) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), o presidente afirmou que o governo tem se empenhado principalmente em acompanhar o repasse a obras de menor porte. "É sinal de que queremos que cada real que o governo transfere para um município ou para um Estado seja aplicado na obra que foi contratada", declarou. "As pessoas precisam entender que, quando o governo faz um convênio com uma prefeitura e disponibiliza dinheiro, não precisa de intermediários para que aquele dinheiro chegue na conta da prefeitura."Ao falar sobre a necessidade de o Brasil avançar na questão dos direitos humanos, Lula voltou a pedir esforço de todas as esferas de governo. "É complicado fazer tudo que nós estamos fazendo, em um regime altamente democrático, com o Congresso Nacional em pleno funcionamento, com a imprensa na sua plenitude de liberdade democrática, com os partidos políticos brigando entre si e, quando não têm mais como brigar entre si, brigam com os outros", disse o presidente, ao lado do governador José Serra (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM). "É indiscutível que a promoção e o respeito aos direitos humanos é uma responsabilidade de todos e também das empresas e seus dirigentes", ressaltou Serra.Kassab, que chegou com quase uma hora de atraso, não discursou. O prefeito, conhecido pela pontualidade, foi saudado pelos presentes quando ainda nem sequer estava no local. Serra se encarregou de justificar a demora. "O prefeito ainda não chegou, deve estar no trânsito", afirmou, arrancando risos da platéia.

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