CGU conclui que gastos de Matilde não têm justificativa

Matilde Ribeiro gastou em 2007 R$ 171,5 mil com o cartão. Do total, R$ 22.405,87 não têm explicação suficiente

Sônia Filgueiras, de O Estado de S. Paulo,

07 de março de 2008 | 20h14

A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, com o cartão corporativo do governo não "foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 são de "devolução imediata". A ex-ministra terá 30 dias para apresentar esclarecimentos adicionais a respeito dos R$ 19.245,00 restantes. O valor refere-se ao pagamento de horas extras aos motoristas que conduziram os veículos alugados por Matilde Ribeiro em suas viagens oficiais. Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  Após leitura, Senado instala CPI mista dos cartões Acordo dá presidência da CPI mista dos cartões ao PSDB Virgílio desiste de liminar para quebrar sigilo da Presidência Segundo a CGU, há gastos com veículos em locais onde Matilde não estava e despesas com locação em horários superpostos. No primeiro caso, a Controladoria rejeitou despesas de R$ 946,11 referentes ao aluguel de carros nos dias 3 e 5 de abril do ano passado. O veículo da Localiza foi alugado em São Paulo, enquanto Matilde estava em viagem oficial em Dakar. A ministra informou à CGU que os gastos foram feitos "sem o seu conhecimento", mas, mesmo assim devolveu o dinheiro. No segundo caso, os auditores exigiram a devolução de R$ 239,80 relativos a uma diária paga a mais. Em 21 de julho de 2007, o cartão usado pela ministra cobriu aluguéis de carros em São Paulo e no Rio no mesmo horário. De acordo com os auditores da CGU, Matilde pagou horas extras em 80% das locações. Despesas com diárias e horas extras de motoristas consumiram R$ 52,2 mil. Total dos gastos Conforme noticiou o Estado em janeiro, Matilde Ribeiro gastou em 2007 R$ 171,5 mil com o cartão. Destes, R$ 127,7 mil correspondiam ao aluguem de carros quase sempre junto à mesma empresa, a Localiza.O gasto de R$ 461,16 em uma loja duty free de aeroporto internacional não foi detalhado ou qualificado pelos fiscais da CGU. O relatório aponta apenas que a ministra devolveu o dinheiro no dia 18 de janeiro, cinco dias após a publicação da reportagem e mais de dois meses depois de realizada a despesa.A auditoria da CGU também recomendou a devolução de R$ 745,80, referentes a despesas indevidas com alimentação. A ex-ministra teria pago refeições de terceiros.Por intermédio de ex-assessores, Matilde Ribeiro informou que antes de se pronunciar sobre o relatório desejava consultar seus advogados. Segundo a CGU, das despesas classificadas como de ressarcimento imediato, a ex-ministra devolveu R$ 2.815,35 até o momento. A ex-ministra também terá prazo de 30 dias para apresentar os documentos comprobatórios do recolhimento de R$ 240,72 ainda pendentes, que corresponde a valores pagos a maior à Localiza, em decorrência de erro em duas faturas de locação de veículos.Embora os auditores da CGU tinham acatado grande parte das justificativas apresentadas pela secretaria para os gastos com aluguel de carros, a CGU recomendou à secretaria que passe contratar carros por intermédio de contratos licitados. Os auditores aceitaram as justificativas de que a secretaria recorreu ao aluguel por falta de estrutura.

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