Cessão de terreno ao Instituto Lula gera protesto

Cerca de 50 pessoas representando ao menos cinco movimentos sociais protestaram nesta quinta-feira de manhã na Câmara Municipal de São Paulo contra a cessão de um terreno na região da Cracolândia, centro da capital, para a construção do Memorial da Democracia, a ser administrado pelo Instituto Lula. Apesar de convidado, o Instituto Lula não enviou representante para o início da audiência pública da Comissão Permanente de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

10 de maio de 2012 | 12h58

Segundo o representante do movimento "Revoltados Online", Marcos Mahen, não estão claras quais serão as contrapartidas do memorial a ser criado pelo instituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Dizem que farão cursos. Cursos para quem? Ninguém é contra a memória do presidente, somos contra a cessão de um espaço público", disse. O manifestante lembrou que não houve concessão de terreno público para a criação do Instituto Fernando Henrique Cardoso.

A representante do movimento NasRuas, Carla Zambelli, que afirma representar mais de 70 mil pessoas que aderiram ao protesto, leu trechos de um e-mail que lhe teria sido enviado pelo jurista Ives Gandra Martins, comparando a doação do terreno aos Fuscas com que o então prefeito Paulo Maluf presenteou os jogadores campeões da Copa do Mundo de 1970. "Kassab e o próprio Lula podem vir a ter problemas legais", teria escrito Martins no e-mail.

O clima esquentou quando o vereador José Américo (PT) afirmou que os argumentos daqueles contrários à cessão do terreno soavam como de defensores da ditadura militar. "Vocês estão associados ao golpe de 1964", disse, sob vaias. "Existe uma política pública de concessão. Transformar o Memorial da Democracia no substituto de todas as creches que não temos tem viés ideológico", afirmou.

Representante da Prefeitura, o procurador Henrique Fugaya afirmou que a concessão do terreno - de cerca de 4 mil metros na Rua dos Protestantes - é importante porque o acervo documental dos dois mandatos do ex-presidente Lula é um patrimônio a ser conservado. "O acervo do FHC é particular, mas merece ter um apoio público", afirmou.

A Câmara Municipal já aprovou o projeto em primeira votação no dia 18. Foram 37 votos a favor, 10 contra e 1 abstenção. A audiência pública antecede uma segunda votação antes de o projeto, se aprovado, ser enviado para sanção do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Tudo o que sabemos sobre:
Instituto Lulaprotesto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.