Cesare Battisti pede novo julgamento ao presidente da Itália

Em entrevista à TV italiana, ex-ativista disse que voltaria ao país se pudesse reiniciar processos

REUTERS

01 de fevereiro de 2012 | 17h13

ROMA - O ex-ativista italiano Cesare Battisti, que mora no Brasil depois de ter sido condenado na Itália por quatro homicídios cometidos nos anos 1970, pediu ao presidente italiano a reabertura dos seus processos para ter "a possibilidade de se defender", mesmo parecendo não ter muita confiança em Giorgio Napolitano.  "Senhor presidente Napolitano, me dê a possibilidade de me defender", disse Battisti durante uma entrevista ao programa Le Iene Show, que irá ao ar na noite de quinta-feira no canal Italia 1.

"De me apresentar diante de um tribunal, hoje na Itália, e de poder me defender, de responder a um verdadeiro interrogatório, como jamais aconteceu, e assim eu me comprometo a responder às minhas responsabilidades perante a Justiça italiana."

Mas em um trecho anterior da entrevista, ele disse não acreditar que Napolitano seja a pessoa certa para lidar com a sua história, "simplesmente porque Napolitano me parece ser verdadeiramente um irredutível dos anos 1970 do ex-Partido Comunista Italiano stalinista."

"Não acho que Napolitano seja a pessoa adequada para dizer hoje à Itália: 'viremos a página, esqueçamos o passado, reconheçamos as responsabilidades, reconheçamos a história, nos pacifiquemos'. Não parece que Napolitano esteja dando exemplo disso", acrescentou.

Battisti, de 56 anos, que nega todas as acusações, foi condenado à revelia por quatro homicídios cometidos na década de 1970 quando integrava a organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

Preso na Itália, o ex-ativista conseguiu fugir em 1981 para a França, que acolheu italianos sob a condição de que abandonassem a luta armada.

Battisti deixou a França em 2007 após a revogação de sua condição de refugiado e veio definitivamente para o Brasil, onde ficou preso até 2011. Em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou o pedido da Itália para extraditá-lo e lhe concedeu um visto de permanência.

Na entrevista ao programa, Battisti, que vive com sua companheira de 27 anos em Cananeia, no litoral de São Paulo, admitiu ter "participado de um grupo armado", negando, no entanto, ter cometido assassinatos. "Eu cometi crimes, fiz uso das armas, mas nunca disparei contra nenhuma pessoa."

Ele alegou ter participado da luta armada como "centenas de milhares" de pessoas, enquanto explicou que foi um erro e que depois mudou de vida.

Quando questionado sobre o que faria se fosse possível recomeçar do zero e reiniciar os processos, Battisti respondeu: "Viva a Itália, eu vou. É claro que enfrento a Justiça italiana. Não peço qualquer outra coisa."

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