Cesar Maia descarta auto-indicação para o Tribunal de Contas

O prefeito Cesar Maia (PFL) voltou atrás nas declarações que fez de que se auto-indicaria para uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Em e-mail, Maia disse que o assunto surgiu como brincadeira durante uma inauguração. "Nunca pensei nisso. Aliás, só trato disso depois de 2 de abril", afirmou, referindo-se ao momento em que o conselheiro Sérgio Cabral, pai do governador eleito Sérgio Cabral Filho, se aposenta compulsoriamente ao completar 70 anos.A interpretação de aliados do prefeito é de que ele postulou o próprio nome para o TCM como forma de acabar com a disputa interna entre seu grupo político pela vaga de conselheiro. O cargo é vitalício, com salário equivalente ao de um desembargador (cerca de R$ 20 mil), direito a indicar 14 funcionários e um carro à disposição do gabinete. A estratégia do prefeito teria falhado quando vazou para a imprensa.Os conselheiros do TCM são escolhidos pelo sistema de rodízio - quatro indicações do poder legislativo, uma do executivo, uma do Ministério Público Especial e uma vaga de auditor. Com a saída do jornalista Sérgio Cabral, cabe à prefeitura indicar o novo conselheiro, que deve ser aprovado por maioria simples (26 votos) na Câmara dos Vereadores. Mas o anúncio da auto-indicação provocou reação dos parlamentares, que se articulam para barrar na Justiça a nomeação do próprio prefeito, caso se confirme. "É pasmante que o prefeito manifeste o temor de que suas contas não possam ser defendidas por outras pessoas que não ele próprio. O que temos recebido dos conselheiros do TCM são contas cheias de recomendações e alertas. As despesas sem empenho somam R$ 500 milhões e ninguém sabe isso como vai ser resolvido", afirmou a vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), integrante da Comissão de Orçamento da Câmara, que vai subscrever a ação judicial.A iniciativa da ação é do vereador Eliomar Coelho (PSOL). "Essa intenção dele é um descalabro muito grande. É imoral. Só tem duas hipóteses: ou é um factóide ou uma armação para deixar o governo e fazer o filho sucessor. Nenhuma das duas condiz com o cargo que ele exerce", criticou.O presidente do TCM, Thiers Montebello, disse que foi surpreendido pelo anúncio e que nunca foi consultado sobre as intenções do prefeito. Mas lembrou que Maia tem "qualificações incontestáveis" sobre o cargo. O jornalista Sérgio Cabral preferiu não comentar a possível indicação de Cesar Maia. "Só posso dizer que estou me divertindo muito com esse noticiário".

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