Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Cerimônia no Rio 'desenforca' Tiradentes

Encenação de peça que faz uma 'revisão' da história do mártir foi promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado e faz parte de uma das ações em comemoração da data da morte do inconfidente

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

21 Abril 2015 | 19h28

Rio - Sob escolta de um bloco de carnaval, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi "desenforcado" nesta terça-feira, 21, na praça batizada com seu apelido, no Centro do Rio, como parte das comemorações do feriado que celebra a sua memória. Foi o clímax da encenação de uma "revisão" do julgamento do mártir da Inconfidência Mineira, enforcado e esquartejado pela Coroa Portuguesa em 1792 por tramar a independência do Brasil. A encenação foi protagonizada pelo ator Milton Gonçalves, que se disse emocionado com o espetáculo. A peça mudou o final da história ao absolver o personagem histórico.

Escrita por Ricardo Leite Lopes e dirigida por Silvia Monte, diretora do Centro Cultural do Poder Judiciário do Rio, a peça chama-se "O desenforcamento do Tiradentes: Justiça ainda que tardia". Foi encenada por iniciativa do Tribunal de Justiça fluminense. Ironicamente, o mártir foi "desenforcado" perto da estátua equestre do imperador D. Pedro I, neto da rainha de Portugal, D. Maria, a Louca. Foi no reinado dela que o herói foi executado por seus ideais.


Ao deixar o Salão do Primeiro Tribunal do Júri, no prédio histórico do antigo Palácio da Justiça, onde aconteceu o "julgamento", o ator Milton Gonçalves se disse emocionado.

"Os grandes heróis brasileiros me tocam profundamente. Deveríamos ter mais dessas pessoas, deveríamos adorar, elogiar e estar sempre buscando exemplos maiores para o nosso País. Sou é brasileiro, é isso que sou, eu sou um democrata, é isso que eu sou, sou um cidadão, não sou só ator. Um cidadão preocupado com a pobreza, com a ignorância, com a violência e com a brutalidade. Viva o Brasil!", discursou o ator.

Gonçalves comentou ainda a importância de a peça revisar a história, resultando a absolvição de Tiradentes. "Quem faz a justiça, num certo sentido na história, é o povo. É a massa que reconhece, em determinado momento, que aquele que estava lá era seu parceiro", completou. A acusação contra Tiradentes foi feita por Jorge Vacite, e a defesa, por Técio Lins e Silva.

Após o espetáculo, o público presente e mais dezenas de pessoas que chegaram após o início da peça seguiram num desfile ao som da bateria do Bloco das Carmelitas, um dos mais tradicionais do Rio, que toma as ruas de Santa Teresa no carnaval carioca. Gonçalves subiu no carro de som que acompanhou o desfile. O cortejo passou pelo Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio. Ali ficava a Cadeia Velha, de onde o Mártir saiu para o enforcamento. Depois, o bloco seguiu até a Praça Tiradentes, onde a execução aconteceu, dois séculos atrás.

Mais conteúdo sobre:
TiradentesRio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.