Cerimônia militar vira ato de apoio a Saito na Aeronáutica

A posse do brigadeiro José Américo, na chefia do Estado-Maior da Aeronáutica, transformou-se em uma cerimônia de desagravo ao comandante da Força Aérea, brigadeiro Juniti Saito, nesta terça-feira, 3. Depois de garantir, em discurso, que não vai se afastar do cumprimento dos "princípios basilares da hierarquia e disciplina", o brigadeiro Saito foi forte e longamente aplaudido por um auditório repleto de militares da ativa e da reserva, na Base Aérea de Brasília, no qual estavam presentes e lhe prestando solidariedade quase todos os ex-comandantes e ministros da Aeronáutica. O único ausente era ex-comandante da Aeronáutica brigadeiro Luiz Carlos Bueno da Silva, a quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem imputado responsabilidade na crise enfrentada pelo País. Os aplausos foram tão longos que o brigadeiro Saito ficou emocionado. Além de fortes, quando eles estavam diminuindo, um grupo reforçava e eles voltavam com força, manifestação que se repetiu por pelo menos três vezes. Depois, todos faziam questão de ir ao encontro de Saito e cumprimentá-lo, prestando-lhe solidariedade. O ministro da Defesa, Waldir Pires, assistiu impressionado ao desagravo ao comandante.TraqüilidadeSaito começou falando que se sentia "tranqüilo", agradeceu o apoio da Marinha e da Aeronáutica e defendeu "a coesão para o bem das nossas instituições". O brigadeiro lembrou ainda que, em sua posse, já havia destacado sua conduta era baseada na hierarquia e na disciplina. "Em minha mensagem de posse destaquei que dentre as principais linhas de conduta a focalizar, a estrita observância dos princípios basilares da hierarquia e disciplina, sobre os quais não há qualquer espaço para tergiversar", declarou o brigadeiro Saito. E acrescentou: "estes são preceitos definidos, de forma clara e precisa, na lei maior, no artigo 142 da Constituição Federal, a quem, nós, os militares, que escolhemos seguir a profissão das armas por livre e espontânea opção, juramos respeitar e fazer cumprir, se necessário, com sacrifício da própria vida". Era recado direto aos controladores, que entraram na profissão por livre e espontânea vontade e agora, descumprem suas regras básicas. "Penso que este instante é oportuno para enfatizar que tais valores merecem constante reflexão", prosseguiu o comandante.CoquetelA crise dos últimos dias foi o assunto dominante no coquetel da cerimônia. Os militares fizeram uma leitura positiva das últimas declarações e atos de Lula, aplaudindo, e comemorando a postura dele, de mudar o discurso, romper o acordo e endossar os princípios da hierarquia e disciplina. "Ele fez o que tinha de ser feito", repetiam os militares consultados, classificando como "inconstitucional" o acordo fechado com os controladores. "Agora o trem está indo para o trilho", comentou um brigadeiro. Mesmo comentando que os militares estivavam satisfeitos com a postura do presidente, que se solidarizou com os comandantes e os princípios das Forças Armadas, houve quem lembrasse que o presidente-sindicalista deveria estar vivendo um momento de forte conflito por estar rasgando um acordo que foi assinado. Mas, os próprios oficiais-generais aproveitam para justificar a atitude de Lula, já acham que ela foi acertada: "ele foi mal assessorado", "ele estava voando e não podia tomar esta decisão assim", "a ordem dele foi mal interpretada, conforme ele mesmo disse aos comandantes", "o que foi assinado não pode ser cumprido porque é ilegal".

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