Cerimônia de Tiradentes vira palanque para Aécio

Discursos destacam possível candidatura do tucano em 2010

Eduardo Kattah, OURO PRETO, O Estadao de S.Paulo

22 de abril de 2009 | 00h00

Numa solenidade em que os manifestantes foram mantidos distantes da Praça Tiradentes, a Celebração da Inconfidência Mineira, ontem, em Ouro Preto (MG), serviu de plataforma para a pré-candidatura presidencial do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Sindicalistas, estudantes e representantes de movimentos sociais que programaram um ato público contra Aécio não tiveram acesso ao local do evento.Na praça, porém, não faltaram faixas e manifestações de apoio ao governador, que confirmou que pretende deixar o cargo no início do ano que vem para disputar a eleição. O mineiro disputa dentro do PSDB a vaga de presidenciável com o governador paulista, José Serra.Na solenidade, marcada pela comemoração do Ano da França no Brasil, não faltaram menções e manifestações de apoio ao seu projeto presidencial. Anfitrião, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo (PMDB), foi enfático em seu discurso, afirmando que o nome do governador mineiro é o que oferece ao País a certeza de "novas perspectivas". "Minas desarma as hegemonias conflituosas, restaura, mostra e sustenta a harmonia. Os mineiros hão de acompanhar vossa excelência ao Planalto", disse. Devidamente "credenciados" por uma fita azul no pulso, militantes do PSDB tiveram acesso à cerimônia e levaram bandeiras e faixas de apoio ao governador. "Surge o clamor - Aécio presidente", dizia uma delas. Na mesma linha, uma faixa da Força Sindical: "Deu certo em Minas, vai dar certo para o Brasil - Aécio presidente".A pequena plateia na praça - na maior parte tomada pela estrutura do evento e cercada por um forte aparato policial - também era composta por uma claque do PMDB Jovem, vestida com camisas de apoio ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, pré-candidato do partido ao governo estadual.Num comboio de 21 ônibus que saiu de Belo Horizonte, sindicalistas e representantes de entidades sociais tiveram dificuldades para chegar a Ouro Preto. O recém-criado Fórum Sindical Social havia programado um ato público contra a administração Aécio. Os sindicalistas acusaram a Polícia Militar de promover barreiras e vistorias sistemáticas nos 95 quilômetros que separam a capital de Ouro Preto, com o objetivo de atrasar a chegada dos manifestantes. Cerca de mil pessoas promoveram o protesto nas imediações da Praça Tiradentes, sem acesso à solenidade. "Liberdade, igualdade e fraternidade ficou só no discurso", reclamou Tiago Santana Cassiano, do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sintel) de Minas.A assessoria do governo alegou que o rigor na segurança do evento foi uma exigência por conta da presença do corpo diplomático francês. DESPEDIDA Ao discursar, Aécio defendeu um projeto nacional inspirado em Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, que permita o Brasil superar a crise econômica internacional. Ele reiterou a cobranças por reformas e aproveitou para despedir-se. "Ao presidir, pela última vez, esta celebração em que reverenciamos os valores herdados dos nossos antepassados, o faço com a mesma emoção e o mesmo sentimento com que compartilhei com os mineiros, pela primeira vez, a liturgia desta cerimônia."Aécio terá de deixar o cargo em abril de 2010 para disputar a próxima eleição, seja como presidenciável ou como candidato ao Senado. FRASEAécio NevesGovernador de Minas"Ao presidir, pela última vez, esta celebração, o faço com a mesma emoção com que compartilhei com os mineiros, pela primeira vez, a liturgia desta cerimônia"

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