Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Cerco a Levy se intensifica no governo e movimentação de Meirelles incomoda Dilma

Movimentações do ex-presidente do Banco Central junto a lideranças políticas, incomoda a presidente e é vista no Planalto como uma tentativa de ele se tornar opção viável para o comando da Fazenda

Tânia Monteiro e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2015 | 20h14

BRASÍLIA - O cerco ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se intensificou no PT e no governo, mas a presidente Dilma Rousseff ainda resiste a fazer mudanças na equipe econômica. Entende que este não é o momento. 

As movimentações do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, junto a lideranças políticas, incomoda a presidente e é vista no Palácio do Planalto como uma tentativa de ele se cacifar como uma opção viável para o comando do Ministério da Fazenda. A presidente, que tem restrições, inclusive pessoais, a Meirelles, não fez, no entanto, nenhum gesto ou sondagem na sua direção, asseguram fontes.

A avaliação de assessores da presidente é de que Meirelles "está operando" para ficar no lugar do ministro Levy. Não é de agora que o ex-ministro de Lula faz inúmeros contatos com lideranças políticas para tentar reabrir o caminho de volta ao governo. Nesta terça-feira, 10, em São Paulo, Meirelles não referendou nem negou os rumores. "Não comento boatos", limitou-se a dizer.

Nas últimas conversas de Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva, a permanência de Levy no posto tem sido objeto de discussões. Mas isso não determina o prazo de validade do ministro da Fazenda no cargo.

Significa, no entanto, que este tiroteio direto e diário ao titular do cargo o enfraquece e dificulta o seu trabalho. Em algumas das conversas, Dilma chegou a pedir que Lula "segure a onda" em relação ao bombardeio a Levy. O problema é que este bombardeio não se resume a Lula, mas inclui até mesmo ministros próximos da presidente.

Para auxiliares de Dilma, Levy tem cometido sucessivos erros, não só políticos como também na política econômica. Aliado a isso, o titular da Fazenda não apresenta qualquer solução para o fim da recessão. 

"Levy precisa oferecer um doce", comentou um desses assessores, ao explicar que "o doce" não precisaria ser liberação de crédito à vontade ou a volta das medidas de estímulo a setores da economia que já foram tão beneficiados, mas apresentar uma opção que leve à possibilidade de volta do crescimento do País.

"Ele não pode comprar todas as brigas. Acaba ficando sem qualquer munição, sem apoio", observou outro auxiliar da presidente, ao comentar a falta de habilidade política do ministro. Este auxiliar chama a atenção de que a percepção, no Palácio do Planalto, é que a fala de Levy já não tem o peso de antes, quando era decisiva.

Um exemplo citado como briga desnecessária do ministro é a sua resistência em torno da reabertura dos prazos e recursos para as empresas pedirem financiamento do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), gerido pelo BNDES. 

"Tem uma questão de fundo aí. Levy com sua formação liberal, acha que não precisa ter uma banco de fomento forte como o BNDES", disse um ministro. / COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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