Central de alimentos é saqueada por favelados no Rio

Cerca de 200 pessoas saquearam a central de abastecimento Ceasa, no bairro de Irajá, zona norte do Rio. Um incêndio havia destruído parte das instalações da central no último dia 21 e os moradores de favelas das redondezas tentaram recuperar alimentos, que resistiram ao fogo. A polícia esteve no local, mas não conseguiu conter a população. A administração da Ceasa vinha distribuindo alimentos ao longo da semana, mas na manhã deste domingo os administradores resolveram queimar o resto dos produtos. A atitude revoltou os moradores das favelas de Acari e Pára-Pedro, e do conjunto Amarelinho, que vinham sendo beneficiados com a distribuição. Às 18 horas, eles iniciaram os saques. Munidos de sacolas, carrinhos de compras e carrinhos de obra, os saqueadores invadiram os escombros do prédio da Ceasa, onde ainda há focos do incêndio da semana passada. Eles tinham de atravessar uma enorme poça de lama formada pela água que os bombeiros usaram para apagar o fogo. Dali foi possível retirar sacos de cinco quilos de arroz feijão, café, leite em pó, carne seca, banana, maçã, além de legumes como cenoura, batata e batata-doce - parte dos alimentos estava chamuscada pelo fogo. "Se o fogo está queimando tudo, o melhor é dar para os pobres. Se a gente esperar o governador (Anthony) Garotinho fazer alguma coisa, a gente morre de fome", afirmou a dona de casa Tânia Maria dos Santos, de 40 anos, que conseguiu arroz, pimental e sal. Um casal conseguiu amealhar uma caixa de madeira e um carrinho de compras cheios de legumes e sacos de cinco quilos de arroz. "A gente não vai pegar em armas para levar o que não é nosso, mas é melhor a gente levar (os alimentos) do que deixar estragar", disse Fernando, de 20 anos, demitido da Ceasa após o incêndio. Parte dos alimentos ele e a mulher, Lucilene, de 22 anos, grávida de 7 meses, vão dividir com parentes, outra parte eles pretendem trocar com outros saqueadores. "A gente não conseguiu pegar café, sal, açúcar", enumerou Fernando. A polícia chegou ao Ceasa por volta das 18h30 e conseguiu conter a população por alguns instantes. Os policiais chegaram a disparar tiros para o alto, para manter os saqueadores distante dos escombros. Às 19 horas, no entanto, um boato de que a entrada havia sido liberada levou as pessoas a voltar a saquear. Um policial, no entanto, negou a informação. "Não tem nada liberado, o problema é que é difícil conter esse povo todo". Quinze policiais estavam no local.

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