André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Centrais sindicais pedirão a Temer para não flexibilizar relações trabalhistas

Representantes das entidades devem se encontrar com o vice-presidente nesta terça-feira em Brasília

Ricardo Leopoldo, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2016 | 12h49

SÃO PAULO - Quatro centrais sindicais - UGT, Força Sindical, CTB e Nova Central - que devem se reunir em Brasília nesta terça-feira, 26, com Michel Temer vão pedir ao vice-presidente que, em um eventual governo, não sejam adotadas mudanças na área trabalhista defendidas por empresários. "Vemos com preocupação a defesa de empresários, liderados pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que esteve ontem por seis horas com Temer, de temas como a flexibilização genérica na área trabalhista", disse ao Broadcast o presidente da UGT, Ricardo Patah, que representa cerca de 10 milhões de empregados. "Somos contrários a pontos como a terceirização dos trabalhadores e que o negociado prevaleça sobre o legislado."

Patah elogiou a capacidade de diálogo e disposição de negociação do vice-presidente, mas disse que as centrais vão alertá-lo que há temas que não podem ir adiante, como o projeto de terceirização aprovado na Câmara, que permitirá que todo o trabalhador celetista seja terceirizado. "O projeto visa a redução de salários, que são baixos e custam muito para os empresários, temos também consciência disso", apontou. "Então, mais importante é adotar outras reformas, como a tributária, administrativa e também a política."

Na avaliação de Patah, a crise econômica e social no Brasil é muito grave e o governo precisa adotar medidas para que o ajuste fiscal não afete exclusivamente os assalariados. "Há 10 milhões de pessoas desempregadas no Brasil. Há alternativas. Recursos do Codefat podem ser destinados ao seguro-desemprego, podem ser adotadas políticas de estímulo ao crédito, de avanço das exportações. Mas não é possível que o ajuste seja feito somente sobre as costas dos trabalhadores." Ele fez os comentários antes de participar de um evento promovido pela UGT para tratar da participação de centrais sindicais nas comemorações do dia 1º de maio.

Ricardo Patah deixou claro que a UGT é contrária à reforma da Previdência Social, embora destaque que a idade média das aposentadorias dos trabalhadores subiu bastante nas últimas décadas. "A proposta 85/95, na prática, institui uma idade mínima. Além disso, só poderemos discutir mudanças na Previdência com um conjunto de políticas mais amplas. Por exemplo: os salários e os benefícios das mulheres precisam ser iguais aos dos homens, o que não existe hoje."

Ele destacou que a posição da central sindical que dirige não tem uma coloração política única. "Não fomos contra e nem a favor do impeachment", disse. "Vamos cobrar muito do governo Dilma, se continuar, ou do governo Temer. Numa administração ou na outra, vamos continuar vigilantes e fazendo reivindicações, pois vamos passar ainda por situações complexas e difíceis." 

Segundo Patah, as centrais se articularam e solicitaram a reunião com Temer neste momento em que várias representações, inclusive empresariais, estão fazendo o mesmo. 

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