Epitácio Pessoa/AE
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Centrais sindicais pedem mudança na política macroeconômica

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), chegou a sugerir a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega

Carla Araújo, Roldão Arruda e Fernando Gallo , O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2013 | 16h48

A manifestação das centrais sindicais na Avenida Paulista nesta quinta-feira, 11, teve críticas ao governo Dilma, mas sem ataques diretos à presidente. Segundo cálculos da Polícia Militar, cerca de 7 mil pessoas fecharam a via. Os manifestantes falam em 20 mil. 

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), afirmou que o ato realizado nesta quinta-feira, 11, pelas centrais sindicais do País é também contra a política econômica e sugeriu a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Ninguém mais liga para o que o Mantega fala", opinou. 

Paulinho disse que as centrais farão uma reunião amanhã pela manhã na sede da Força Sindical e devem fixar um prazo para que a presidente Dilma Rousseff atenda às reivindicações dos trabalhadores. "Senão, vamos começar a organizar uma greve geral", disse, alegando que os atos de hoje "foram um sucesso".

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, também fez críticas à política econômica do governo federal. "É excrescência aumentar a taxa de juros e punir a produção e o crescimento", afirmou, citando a reunião de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa Selic para 8,5% ao ano.

"Não aceitamos que a pauta dos empresários seja levada em conta e não aconteça a mesma coisa com a pauta dos trabalhadores", disse Vagner Freitas. Questionado se faz uma avaliaçaõ positiva ou negativa do governo, ele respondeu que "para a posição da CUT não importa o governo do plantão. A CUT só tem um lado: o dos trabalhadores".

Congresso. Freitas disse, no entanto, que o Poder Legislativo tem a maior responsabilidade em atender à pauta trabalhista, já que "grande parte das reivindicações está parada no Congresso". "É preciso destravar e tirar da gaveta os projetos dos trabalhadores, assim como eles tiram os dos empresários", afirmou.

O presidente da CTB, Vagner Gomes, disse que "o governo tem que mudar a política macroeconômica". "Não é possível continuar guardando uma montanha de dinheiro para pagar juros da dívida pública", afirmou. Além da crítica à economia, ele ressaltou pontos comuns da pauta dos trabalhadores. "Estamos na rua para dizer à presidente Dilma que é preciso acabar com o fator previdenciário e é preciso dar saúde, educação e habitação ao povo brasileiro."

O presidente da CUT-SP, Adi dos Santos, afirmou que a entidade é a favor da reforma política, mas essa questão não foi contemplada nos protestos realizados hoje por acordo entre as centrais. Segundo ele, ainda não é possível fazer um balanço do Dia Nacional das Lutas, mas a CUT conseguiu mobilizar trabalhadores em pelo menos 18 pontos no Estado.

Ausência. Adi ponderou que o fato de os metroviários não terem participado do dia de protestos enfraqueceu o movimento. "Provavelmente, a adesão seria muito maior, mas temos de respeitar a decisão do sindicato", disse.

Apesar de confirmar que deve se reunir com os demais líderes das centrais amanhã para realizar um balanço dos atos de hoje, Adi rechaçou a ideia de uma greve geral. "Acho muito difícil", afirmou. "Greve geral tem de ter sentimento da sociedade, a população teria de assumir a luta e eu acho difícil isso acontecer." 

Com relação às manifestações que têm acontecido desde junho nas ruas de todo o País, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, frisou que as centrais já brigam desde muito tempo atrás. "Aos que estão chegando agora, sejam bem-vindos. Nós já estamos na rua há muito tempo para mobilizar a classe trabalhadora e lutar pelos seus interesses."

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