Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Centrais sindicais aderem a protesto pró-impeachment marcado para domingo

Manifestação vem sendo organizada por grupos de centro-direita desde julho

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2021 | 17h32
Atualizado 09 de setembro de 2021 | 12h29

Após as ameaças do presidente Jair Bolsonaro nas manifestações do 7 de Setembro, centrais sindicais decidiram nesta quarta-feira, 8, aderir ao protesto pró-impeachment marcado por grupos de centro-direita, como o Vem Pra Rua, o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Livres que, num aceno, recuaram de da ideia de convocar manifestantes apelando para o mote “nem Bolsonaro, nem Lula”. Em São Paulo, o ato será realizado no domingo, às 14h, na Avenida Paulista.

A Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e a Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) divulgaram nota conjunta classificando como “deplorável” a participação do presidente na manifestação de 7 de Setembro e seus ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“É inquestionável que o objetivo do presidente e de seus apoiadores é dividir a Nação, empurrar o País para a insegurança, o caos e a anarquia, resultado da reiterada incitação ao rompimento da legalidade institucional, do descumprimento dos preceitos contidos na nossa Constituição democrática”, afirma a nota. 

O PDT de São Paulo também anunciou que participará da manifestação. “Com ataques diários à democracia, às instituições e à Constituição, Bolsonaro segue cometendo dúzias de crimes de responsabilidade”, diz o texto assinado por Antonio Neto, presidente do PDT em São Paulo e presidente da central CSB.

O protesto de domingo é organizado desde julho e deve ocorrer em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Brasília. Os organizadores esperam maior adesão após as falas do presidente no 7 de Setembro. 

A presença de grupos de esquerda vinha sendo uma das dúvidas com relação a esses atos. Até o momento, os partidos desse campo do espectro político não manifestaram apoio aos atos. Mas o discurso de radicalização proferido por Bolsonaro pode ter mudado esse quadro.

“As ações de ontem repercutiram e acabaram reverberando na população que não compactua com esse governo, uma aderência à manifestação do 12”, disse a advogada Luciana Alberto, do Vem Pra Rua. 

. “Alguns espectros da esquerda mais democrática também estão procurando aderir, como essa recente declaração do PDT, que disse que irá comparecer”, disse ela, referindo-se ao PDT, partido que passou a integrar a articulação pelo impeachment. “Estamos em um momento de ruptura e é importante que a população se posicione. Tudo leva a crer que Bolsonaro pode concretizar as ameaças que faz”.

Segundo Luciana, entretanto, os organizadores dos protestos pretendem evitar que o ato pela queda de Bolsonaro seja também um ato por qualquer outra candidatura política. “Nunca rejeitamos a esquerda. O que chamamos a atenção é que alguns movimentos de esquerda defendem a candidatura de Lula. E acabam sendo manifestações que terminam em depredações. Esses dois pontos acabam tirando o foco do que é mais importante. O ato não é palanque de político algum, é para a defesa de uma causa maior”, afirma Luciana.

A ativista do Vem Pra Rua afirma, por outro lado, que o eleitorado contra Bolsonaro ainda tem receio de aglomerações por causa da covid-19, o que poderia resultar em um ato com menos integrantes do que o ocorrido no domingo. Mas ela aponta que, nas redes sociais, o discurso de oposição ao presidente já é maioria. 

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), do MBL, destaca que a fala do presidente fortalece a necessidade de impeachment. “O presidente foi explícito em suas intenções: não sair do poder exceto ‘morto ou preso’, e descumprir as determinações judiciais do STF. Isso é gravíssimo e soma mais razões ao pedido de impeachment”, afirmou.

Já o empresário João Amoedo, ex-candidato à Presidência pelo Novo destacou que será preciso realizar uma manifestação forte contra o presidente. “O dia 07 foi uma demonstração de força. Apesar do derretimento da sua base eleitoral, Bolsonaro ainda conta com uma massa de militantes dispostos a emparedar as instituições para lhe dar o poder de um ditador”.

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