Centrais fazem pressão por mínimo de R$ 420

As centrais sindicais iniciam nesta quinta-feira uma negociação com o governo para definir o novo valor do salário mínimo a partir de abril de 2007. Líderes se reunirão com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e da Previdência Social, Nelson Machado, para defender um mínimo de R$ 420 e o reajuste da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 7,7%. Nesta quarta-feira, as centrais sindicais realizaram na Esplanada do Ministério, em Brasília, a 3ª Marcha pelo Salário Mínimo. A Polícia Militar do Distrito Federal estimou que cerca de 4 mil pessoas participaram do ato, mas o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, acredita que o movimento contou com a participação de 10 mil manifestantes. Para Paulinho, as negociações desta quinta-feira não devem ser conclusivas e novas reuniões devem ser agendadas. Ele, no entanto, está confiante de que o governo concordará com um mínimo superior aos R$ 375 previstos na proposta orçamentária para 2007. "Acho que se não fosse para negociar um valor acima dos R$ 375, o governo nem nos receberia", argumentou. "Pode não ser os R$ 420 que defendemos, mas acredito que vamos conseguir algo acima dos R$ 375", concluiu. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem defendido nos últimos dias que o valor do salário mínimo fique em R$ 367, conforme uma regra prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A fórmula prevê que o mínimo deve ser reajustado pela variação da inflação (INPC) e pelo crescimento do PIB per capita, o que, nas projeções atuais, redundaria em um reajuste de apenas 5%. Para Paulinho, Mantega é voz isolada dentro do governo. "O presidente Lula tem uma dívida com os trabalhadores", disse. Há uma avaliação em Brasília de que a proposta do ministro da Fazenda para reduzir o valor do mínimo previsto na proposta orçamentária já seria uma margem de manobra para tentar neutralizar as pressões dos sindicalistas. Esta semana, Mantega já sinalizou que o governo pode arcar com os R$ 375, mesmo estando acima da regra da LDO. O presidente da Força Sindical disse também que os sindicalistas vão cobrar do governo a promessa feita durante as negociações do ano passado, de que a tabela do IR seria corrigida, zerando os efeitos da inflação nos quatro anos de governo Lula. Nas contas das centrais sindicais, a correção teria que ser de 7,7%. Na semana passada, no entanto, o Ministério da Fazenda fechou um acordo com o relator do Orçamento no Congresso, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), para que houvesse uma correção de 3% em 2007 e de mais 3%, em 2008. Mantega ameaçou de veto a proposta, caso o Congresso descumpra o acordo e aprove um valor acima, como os 5% sugeridos pelo relator. Os sindicalistas também terão um encontro nesta quinta-feira com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e estiveram nesta quarta com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Estamos fazendo uma mobilização no Congresso, caso as negociações emperrem no governo", explicou Paulinho. Calheiros prometeu designar um senador para participar das reuniões entre sindicalistas e governo.

Agencia Estado,

07 Dezembro 2006 | 08h18

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