Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Centrais e Fiesp já fazem pressão sobre Meirelles

Aliados de Temer no processo de impeachment, sindicatos e empresários são contra volta da CPMF e alteração na Previdência, indicadas pelo ministro da Fazenda

Victor Martins e Pedro Venceslau / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 05h00

Apenas quatro dias após terem tomado posse, o presidente da República em exercício, Michel Temer, e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, iniciam a semana sob pressão das centrais sindicais e também dos empresários em relação ao pacote de medidas que a equipe econômica planeja colocar em prática nos próximos dias.

A pressão parte, principalmente, de personagens importantes que estiveram ao lado de Temer na batalha do impeachment: o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), da Força Sindical.

Em reunião agendada para as 15h no Palácio do Planalto, ao menos quatro das maiores centrais do País – Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Sindicatos Brasileiros e Nova Central Sindical de Trabalhadores pressionarão Temer, Meirelles, Eliseu Padilha (Casa Civil) e o novo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a rever alguns pontos anunciados por Meirelles em entrevista coletiva na última sexta-feira.

Do lado dos empresários, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, se reuniu na noite de ontem com o presidente em exercício. Michel Temer, em São Paulo. A pauta foi a proposta de recriação da CPMF ou de outro imposto transitório, ideia que não é descartada pelo ministro em exercício da Fazenda, Henrique Meirelles.

“O pato está a postos e tem como prioridade dizer não ao aumento”, afirmou Skaf no sábado em entrevista à Rádio Gaúcha, numa referência ao pato inflável da campanha da entidade contra impostos.

O primeiro grupo rejeita fortemente a recriação da CPMF, ainda que temporária, e o segundo teme os rumos da reforma da previdência. Geddel Vieira Lima, secretário de governo, se diz pessoalmente contra a recriação da CPMF.

“Sou pessoalmente contra a criação da CPMF, mas vou adotar a postura do governo”, disse Geddel em entrevista ao Estado. “O novo governo Temer tem um ministro da Fazenda, que é o Meirelles. Não há ambiguidade. Não haverá surpresas para pessoas físicas e jurídicas.”

Sindicatos. As centrais são contra a reforma da Previdência, em especial em relação à idade mínima e ao aumento do tempo de contribuição. Outro ponto que elas querem discutir hoje é a revisão da legislação trabalhista.

Na entrevista, Meirelles disse que a proposta de reforma da Previdência deve respeitar os direitos adquiridos. Mas ressaltou que esse conceito de direitos adquiridos é “impreciso”. Afirmou ainda que sua equipe trabalha em cima de revisão da legislação trabalhista. Temer quer convencer as centrais de que algumas medidas são necessárias, apesar de duras para o contribuinte. Dirá que a proposta de reforma da Previdência tem por objetivo conter os gastos públicos e que as leis trabalhistas precisam ser modernizadas.

Conforme antecipou ontem no estadão.com a Coluna do Estadão, na reunião de hoje com as centrais sindicais Temer, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, serão claros na conversa. Ambos dirão aos representantes dos sindicalistas que o governo vai apresentar uma proposta de reforma da Previdência Social para o Congresso, como forma de conter os gastos enormes que o setor hoje representa. Projeções feitas por técnicos do governo indicam que o sistema previdenciário poderá entrar em crise a partir de 2020, se os gastos não forem contidos por algum tipo de reforma.

Além de conseguir apoio, o encontro visa debelar uma possível rebelião das centrais. As entidades ainda não falam em ações práticas, mas informaram que, quando as negociações começarem efetivamente, vão levar as propostas para os trabalhadores para estudar a reação mais adequada, caso medidas mais duras prosperem.

Para Temer, esse cenário é ruim, pois ele já não detém o apoio das centrais ligadas ao PT, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do País, e a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Ambas foram convidadas para a reunião, mas, até o início da noite de ontem, nenhuma delas havia confirmado presença.

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