''Censura tira o Brasil da rota do primeiro mundo''

A censura ao Estado, imposta pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, simboliza o "deboche" do Senado, pilar do "retrocesso" das instituições brasileiras, acredita o cientista político e pesquisador Rubens Figueiredo. Segundo ele, a liberdade de imprensa era um dos poucos aspectos que equiparava o Brasil ao primeiro mundo. Qual o significado político da censura ao ?Estado??O Brasil está retrocedendo do ponto de vista institucional. Já tem problemas no campo da desigualdade e, se tinha alguma coisa que o equiparava ao primeiro mundo, era a liberdade de imprensa e as eleições regulares. Esse episódio do Estado mostra um evidente descompasso do que se espera de um País com instituições fortes. Quem sofre mais com ela?O problema é da cidadania. Diz respeito diretamente à sociedade que se quer construir. Mas, infelizmente, a opinião pública brasileira é muito frágil, e ficou muito mais frágil nesse período em que vivemos, de um presidente muito popular. Em épocas anteriores, o cerceamento da liberdade imprensa gerava uma reação na opinião pública que derrubava a aprovação do presidente. Hoje isso não acontece mais. Por que o Senado respondeu timidamente à censura?O poder de uma maneira geral, e o Senado de maneira particular, vivem em um mundo à parte. Quando aquele deputado disse que estava se lixando para a opinião pública - e nós achamos que aquilo era o fundo do poço -, não era. O Senado mostrou que, além de estar se lixando, é capaz de debochar da opinião pública. Como o Judiciário se enquadra?O Judiciário necessita de uma reforma mais profunda. No período Lula o que tem se visto é um certo atrelamento do Judiciário às teses do Executivo. Isso é perigoso porque descompassa o equilíbrio de poder.

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

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