Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Censura ao 'Estado não é questão política', diz Dilma

Em visita a Campus Party, ministra defendeu direito a intimidade, mas criticou a criminalização da internet

Rodrigo Alvares e Cido Coelho, do estadao.com.br,

29 Janeiro 2010 | 21h35

A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, esteve nesta sexta-feira, 29, na Campus Party, em São Paulo, onde concedeu entrevista a jornalistas e blogueiros sobre os planos e visões do governo federal a respeito da inclusão digital no Brasil. Para a petista, "o que a internet permite é a diversidade de opiniões se manifestar e aparecer." "A pessoa que tem acesso à informação viabiliza a democracia, por ter informações referenciadas e diferenciadas. É a formação de um País."

 

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Entretanto, questionada sobre a censura imposta ao jornal O Estado de S.Paulo há 182 dias, Dilma afirmou: "A questão é no judiciário, não no executivo, tem que preservar o direito de intimidade, que está garantido na Constituição. Isso não é uma questão política", explica Dilma. Antes, durante e depois da coletiva, alguns participantes do evento protestaram contra a ministra.

 

Antes da chegada de Dilma ao Centro de Convenções Imigrantes, as atenções se voltaram para um estudante que ensaiou um protesto contra a ministra. Segurando um laptop com a mensagem "Dilma pistoleira/ Você não será eleita/ Persona non grata/ Terrorista e golpista" em frente ao local onde seria realizada a coletiva, ele foi abordado por membros da organização do evento, que disseram que ele seria expulso da Campus Party e não teria sua inscrição aceita em 2011 caso não fechasse o computador ou saísse dali.

 

O episódio suscitou manifestações de apoio ao estudante. Vários participantes começaram a filmá-lo discutir com membros da organização e acusá-los de censura. Quando questionada, a equipe disse que isso não seria verdade e que Fábio estava "querendo aparecer".

 

Internet sem censura

 

Em seguida, Dilma comemorou o acesso à informação e a livre expressão na rede mundial de computadores. Para ela, "criminalizar a internet não é do interesse dos brasileiros". Sobre a utilização da internet na campanha presidencial, a ministra confessou que o governo está preocupado em como vai agir: "É um momento muito importante para mostrar o que fizemos". Para Dilma, o Plano nacional de Banda Larga será um importante passo para dar acesso às mais diferentes "tribos brasileiras". "O acesso tem de ser agora", enfatizou.

 

A petista garantiu que a Lei do Direito Autoral vai ser votado ainda nesse primeiro semestre. Em resposta a uma pergunta sobre a regulamentação da internet, garantiu: "Eu acho que o Marco Civil que estamos fazendo é crucial pro Brasil. A questão do direito do usuário é fundamental".

 

Dilma também declarou que o governo quer fazer um projeto de política de inclusão social como o projeto Luz para Todos. A ministra finalizou sua participação na Campus Party tecendo elogios aos participantes. "Os blogueiros do Brasil têm um papel democrático fantástico porque permitem uma maior discussão. E rapidez na informação".

 

Eleição

 

Sobre eleições, Dilma fez uma ressalva: "Eu queria esclarecer uma coisa. Eu não posso me afirmar candidata porque não sou candidata de mim mesma. Só quando o Partido dos Trabalhadores se reunir no Congresso, a partir de fevereiro, indicada eu serei", afirmou a ministra. "Isso não é uma questão formal. É uma questão de respeito político pelo partido ao qual sou filiada."

 

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