Censo nacional da pobreza vai cadastrar famílias carentes

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai promover um censo nacional da pobreza, a partir de novembro, para cadastrar as famílias carentes com base em critérios que não se resumam apenas à renda. A idéia do Palácio do Planalto é usar dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e uma "cesta de indicadores", com informações sobre perfil da família e suas condiçõs de vida: saneamento básico, habitação e saúde. Os 27 governadores que na terça-feira se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, aprovaram a proposta, mas não querem saber de desembolsar um tostão.O censo deverá durar seis meses e tem o objetivo de corrigir distorções, como as verificadas no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, onde menos de 30% das famílias carentes estão cadastradas. Mesmo assim, o governo federal começará a pagar as quantias do Bolsa-Família, de R$ 50 a R$ 95, no fim deste mês, sem ajuda financeira dos Estados, que adiaram para dezembro a definição sobre como participar do projeto. Durante a reunião, na Granja do Torto, ficou claro que o Bolsa-Família não acabará com os chamados pobres de primeira e segunda categorias. Em outras palavras: os que residem em Estados mais ricos acabam recebendo mais transferência de renda do que aqueles que vivem em locais com poucos recursos. Goiás, por exemplo, já paga valores mais robustos em seus programas sociais (até R$ 120) e, com a entrada em vigor do Bolsa-Família, ainda oferecerá "complementos", como cursos de capacitação profissional. O economista Ricardo Henriques, secretário-executivo do Ministério da Assistência e Promoção Social, negou que o novo programa institucionalize a divisão entre mais e menos pobres, mesmo porque o poder de compra de uma mesma quantia varia de região para região. Henriques disse ainda que, "por uma questão de equidade", o governo está tratando de forma diferenciada os desiguais.

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