Censo mostra que computador ainda é privilégio

O número de brasileiros que, em 2000, tinham em suas casas um microcomputador ultrapassava os 17,4 milhões, revelaram os dados preliminares do censo divulgado na semana passada. São pessoas que, segundo uma análise realizada por técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), moram em grandes cidades, têm renda mais alta e são mais escolarizadas. Em 2000, o censo incluiu pela primeira vez o item microcomputador na lista de bens questionados pelos recenseadores do instituto. Os dados iniciais do censo, divulgados no dia 8, apresentam só os números absolutos sobre os bens de consumo (sem cruzamentos e detalhes sobre o consumidor), mas o perfil do usuário de computador no Brasil já começa a ser descrito pelo IBGE. "O número me surpreendeu. E, apesar de não haver cruzamentos, já é possível concluir que tipo de pessoa tem um computador em casa. Com certeza, é alguém que não ganha tão pouco, mora em uma cidade grande e tem alguma educação", afirmou Lilibethe Cardoso Ferreira, gerente da área de estudos e pesquisas sociais. A análise da técnica do IBGE é feita a partir dos seguintes dados: dos 4,7 milhões de domicílios com computador em 2000, 2,9 milhões estavam na Região Sudeste; o Sul vinha em segundo lugar com 870 mil; as Regiões Norte e Nordeste têm participação pequena - juntas tinham pouco mais de 600 mil casas com computador. A concentração em Estados mais ricos e com os maiores centros urbanos brasileiros também fica clara. O Distrito Federal, que é um dos campeões nos melhores indicadores sociais do Brasil, foi o recordista em computadores, com 25,5% das residências equipadas. Os outros Estados com as maiores proporções são São Paulo (17,5%), Rio (15,5%) e Santa Catarina (12,7%), contra apenas 1,3% do Maranhão e 1,9% no Piauí. Em números absolutos, no entanto, o líder é São Paulo. Dos 4,7 milhões de casas com computador, 1,8 milhões são domicílios paulistas. "A dedução mais óbvia é que os donos dos computadores moram em Estados ricos que têm uma população com maior poder de compra", observa Lilibethe. Benefícios - A técnica do IBGE avalia ainda que as pessoas que optam por investir em um bem de consumo caro como o computador são escolarizadas, porque entendem os benefícios que ele pode trazer para a família de hoje. "Ou são pessoas que pensam na educação dos filhos ou querem se comunicar com o mundo pela internet ou ainda que querem usar o computador como um instrumento de trabalho para gerar renda." Mas, em relação aos outros bens de consumo, medidos pelo IBGE, o computador ainda é o que tem os menores porcentuais de abrangência (10,6% dos domicílios). Ele ganha apenas do aparelho de ar-condicionado, que só está presente em 7,5% das residências. Os bens mais comuns na casa do brasileiro são rádio (87,4%), televisão (87%) e geladeira (83,2%). Em faixas intermediárias, estão a máquina de lavar roupa (33,1%) e o automóvel (32,7%).

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