CENÁRIO: Vender carne para a África nos anos 1980 era algo raro de se ver

De acordo com especialista, a venda externa de carne enlatada era comum, já negociações do setor com países africanos não

Camila Turtelli, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2015 | 07h21

O cenário das exportações de carne pelo Brasil em 1980 era incipiente e o embarque para países africanos era algo raro de se ver. Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), Sérgio De Zen, no período, o Brasil embarcava entre 3% e 5% do que produzia, ante uma média atual de 20%. “Além disso, era normal no Governo Militar decretos que suspendiam as exportações brasileiras”, diz De Zen. “Foi uma época em que o Brasil perdeu bastante participação de mercado.” 

Os destinos eram basicamente os Estados Unidos e a União Europeia. “O País tinha um bom status sanitária”, afirma o professor. De acordo com De Zen, a venda externa de carne enlatada era comum, já negociações do setor com países africanos não. “Não era algo comum o Brasil exportar para África”, diz. De Zen, no entanto, não sabe afirmar se houve alguma negociação de carnes com o continente naquela época.

Segundo José Vicente Ferraz, diretor da consultoria Informa Economics FNP, o Brasil não era um grande exportador de carnes naquela época. “O País tinha enormes dificuldades de embarcar carne in natura porque não havia um plano de erradicação da febre aftosa.” Por este motivo, os embarques de carne enlatada eram mais comuns. “Como ela é cozida, o vírus fica inativo, não havia restrição a isso”, afirma.

Ferraz diz que, como exportador, o País era bastante instável. “Às vezes, havia desabastecimento interno e o País virava importador”. Sobre as formas de negociação, ele ressalta que os exportadores brasileiros não podiam receber em dólar. “Você recebia na moeda da época.”

Em relação às negociações com países africanos, Ferraz comenta que não devia ser algo corriqueiro na época. “Não deve ser algo comum, mas pode ser que tenha acontecido”, diz.

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