CENÁRIO: Uma negociação rápida e a proteção da Esplanada

À noite desta quarta-feira, preocupação do comando encarregado da operação ainda tinha dúvidas; o reforço na segurança não havia chegado ao Palácio do Jaburu e às casas dos presidentes da Câmara e do Senado

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 01h35

A tropa mobilizada para ir à rua, em Brasília, não é de brincadeira: 1.400 combatentes, do Comando Militar do Planalto (CMP) e do Grupamento de Fuzileiros Navais (CFN), receberam do presidente Michel Temer a missão de exercer a força necessária para garantir a integridade dos palácios do governo e dos prédios da Esplanada dos Ministérios. A mobilização deveria durar até o dia 31. Mas pode cair bem antes, talvez entre hoje e amanhã, depois de uma avaliação da situação, segundo disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Até lá, a tropa pode empregar blindados armados e deter indivíduos considerados em atitude suspeita, nos termos do artigo 142 da Constituição que trata da lei de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

O deslocamento do pessoal do CMP e do CFN foi a reação a um pedido do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, para que o Planalto enviasse a Força Nacional (FN) para reforçar a segurança do complexo do Congresso, ameaçado pelos manifestantes que ocuparam parte dos edifícios do Legislativo. De acordo com Jungmann, a Defesa e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), chefiado pelo general Sérgio Etchegoyen, chegaram à conclusão de que o quadro da FN disponível no Distrito Federal, cerca de 130 homens e mulheres, não seria suficiente para reprimir os grupos mascarados que cometeram atos de vandalismo nos Ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e também da Defesa, durante os protestos. Imagens de policiais atirando, possivelmente com munição letal, contra os manifestantes foram vistas no centro integrado de controle como preocupantes. Foi decidido então que o Exército e a Marinha seriam envolvidos imediatamente.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, passou o dia em São Paulo, em um seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Uma negociação rápida, no final da tarde, no Comando de Operações Terrestres (Coter), definiu as atribuições de cada grupo participante da ação. Os militares vão cuidar da segurança dos prédios. À Polícia e à Força Nacional caberá o domínio do gramado, o imenso espaço entre as 12 faixas de trânsito do sistema viário. Um perímetro de exclusão em torno da Esplanada acabou restrito ao limite externo das edificações públicas.

À noite, a preocupação do comando conjunto encarregado de coordenar a operação de GLO ainda tinha dúvidas. Um oficial ouvido pelo Estadão discutia a extensão do mandato – se cobriria todo o Plano Piloto de Brasília ou apenas o núcleo central. Até as 19h30, o reforço no esquema de segurança não havia chegado ao Palácio do Jaburu, onde mora a família Temer, nem às casas dos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. Teriam de ser implantadas barreiras nos acessos, guarnecidas por soldados, aumentado o número de agentes.

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