Cenário: Um espaço em busca de alguém para ocupar

A cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) abre um significativo espaço de poder na política nacional. A despeito da efemeridade, o peemedebista foi o presidente da Câmara dos Deputados mais poderoso desde Ulysses Guimarães (PMDB-SP).

Caio Junqueira, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2016 | 05h00

Seu ocaso político deixa sem um grande líder uma Câmara contraditória. Por um lado, tem o maior nível de fragmentação partidária desde a redemocratização e está acuada com o avanço da Lava Jato sobre cerca de 10% de seus integrantes. Por outro, desde a Constituinte de 1988, ela, junto do Senado, não demonstrava tanto poder sobre o Planalto. Há tempos não se via um Congresso que força um presidente da República a seguintes recuos e recuos dos recuos.

No Senado, porém, o jogo de forças entre os próceres do PMDB e do PSDB acerca da agenda a ser seguida pelo governo mostrou por onde a disputa por esse protagonismo legislativo se dará. Na Câmara, a cassação de Cunha intensifica uma disputa por seu espólio com desfecho ainda incerto.

Sem lideranças nacionais, as chances maiores são de que surjam pequenos polos de poder para além do embate entre antiga oposição (PSDB, DEM, PPS e PSB) e Centrão (PSD, PTB, PR, PP e outros menores) que se configurou na eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidente da Casa. Qualquer que seja ele, precisará da tutela do Planalto.

Até agora, Maia, ao se posicionar como a voz de Temer, é o exemplo mais bem acabado disso. Mas o tamanho da bancada do DEM (é a sétima maior, com 27 deputados), a brevidade de seu mandato e o ressentimento de setores do Centrão serão sempre um obstáculo para sua pretensão de ser principal parlamentar da Casa. Cunha chegou ao auge com formulário oposto. Era o antigoverno, integrava a maior bancada e agregou no seu entorno todos os setores.

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