CENÁRIO: Saída de Cunha testa fidelidade de bancada petista na Câmara

A bancada do PT na Câmara está tratando a substituição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Casa como uma espécie de ensaio para o novo papel que os deputados do partido deverão desempenhar a partir do dia 12, caso o Senado aprove a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff: o de oposição.

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2016 | 09h32

A bancada vai se reunir na terça-feira para tirar uma posição formal, mas alguns deputados já admitem que o partido não tem condições de pleitear a vaga de Cunha e deve participar de uma composição com outras forças em torno de um nome que, se não for o ideal para o PT, pelo menos ajude a retomar a “normalidade” rompida durante a gestão Cunha.

“Se tiver nova eleição, na minha opinião, o PT não deve lançar candidato. Deve buscar uma composição que restabeleça o debate democrático na Casa, porque o que tínhamos era um presidente autoritário que atropelava decisões”, disse o deputado Carlos Zaratini (PT-SP). O parlamentar prevê uma disputa intensa pelo cargo de Cunha que pode causar instabilidade ao início de um possível governo do PMDB. “Vai ser uma carnificina”, afirmou.

Ninguém no partido arrisca falar em nomes por enquanto. Setores da bancada defendem a composição de uma frente com outros partidos de esquerda como o PSOL, PC do B e Rede com o objetivo de marcar posição frente ao eventual governo Temer. Por enquanto, a única estratégia que conta com maioria na bancada é a de pressionar o Conselho de Ética da Câmara a acelerar o processo de cassação de Cunha.

Petistas argumentam que a cassação é necessária para restabelecer a normalidade legal da Câmara dos Deputados e permitir a realização de novas eleições para a presidência da Casa conforme as normas regimentais, já que a retirada de Cunha por ordem do Supremo Tribunal Federal não tem previsão legal.

“A lei prevê novas eleições apenas nos casos de cassação, morte ou renúncia do presidente. Portanto nossa opção é esperar a cassação para só então discutirmos a substituição do Cunha”, declarou o vice-líder do partido, Paulo Teixeira (PT-SP).

A direção nacional do PT, o Palácio do Planalto e o grupo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão acompanhando de perto as movimentações na bancada petista. Existe o temor na direção do partido de que parte dos 50 deputados petistas ligados ao PMDB e a Cunha pode fazer corpo mole diante das determinações partidárias de manter oposição frequente e sistemática no Congresso ao eventual governo Temer.

Para a direção do PT, as movimentações em torno da substituição de Cunha vão servir de termômetro para identificar tendências dentro da bancada. Segundo um alto dirigente petista, “vai ser difícil segurar a turma” próxima do PMDB.

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