CENÁRIO: Retirada das Forças Armadas teve efeito prático - conter gastos

Em escala maior, o primeiro ano de retomada do Complexo do Alemão custou ao Orçamento federal cerca de US$ 160 milhões

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 23h38

Durou pouco, bem pouco, não mais de 12 horas, a presença das forças militares na Esplanada dos Ministérios e nos palácios do governo, em Brasília. Decretada pelo presidente Michel Temer, a mobilização da tropa, sustentada pelo princípio constitucional da manutenção da lei e da ordem, começou ao entardecer de quarta-feira. Envolveu 1.500 soldados do Exército e fuzileiros da Marinha. A missão era garantir o patrimônio público, depois das depredações nos prédios das administrações da Agricultura, Cultura, Relações Exteriores e até da Defesa – além das ameaças de invasão no complexo do Congresso.

Nos termos da lei de GLO, o grupo, exercendo poder de polícia, poderia inspecionar veículos, abordar e deter indivíduos em atitude suspeita. Para seu deslocamento e proteção estava liberado o uso de veículos blindados. Não foi preciso. A movimentação foi feita com caminhões, um recurso menos agressivo. E durante a noite, “não houve nenhum incidente ou ocorrência de qualquer tipo”, de acordo com o Palácio do Planalto. Os militantes se retiraram da área da manifestação antes da chegada das tropas.

A retirada, anunciada de manhã pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, teve o objetivo direto de relativizar a importância da mobilização da véspera, e um efeito prático: conter os gastos. Custa caro manter em ação esquadrões de combate -- seus equipamentos, viaturas, suprimentos e toda a infraestrutura. Em escala muito maior, claro, mas como referência, vale lembrar que o primeiro ano da retomada do Complexo do Alemão custou ao Orçamento federal cerca de US$ 160 milhões.

O colapso da policia militar do Distrito Federal na repressão ao vandalismo e à violência, alegação para o decreto presidencial que levou os soldados às ruas, provocou um efeito colateral. O Ministério da Justiça decidiu retomar o projeto de criação de um contingente mínimo fixo com, talvez, 600 homens e mulheres para a Força Nacional, que serão agregados ao comando central, em Brasília.

A Força é composta por destacamentos cedidos pelas secretarias de Segurança de quase todos os estados. O quadro é reunido apenas nos momentos de convocação. Nem sempre esse movimento é rápido, como ficou claro ontem, em Brasília, quando havia cerca de 130 homens e mulheres da FN na sede e não havia meios de transferir pessoal de outras regiões em tempo hábil.

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