Cenário: Preferência por peemedebista tensiona base

A opção do presidente em exercício Michel Temer de montar um Ministério predominantemente parlamentar deflagrou uma reacomodação de forças no Congresso Nacional e abriu os primeiros focos de tensão em sua base aliada, que se dividiu em duas frentes. De um lado, o chamado centrão, formado por deputados do PMDB, PP, PR, PTB, PSD e PSC, que tem o comando do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Possuem 13 ministérios e 211 votos na Câmara. Integravam o governo petista e, justamente por isso, foram cruciais na reta final para a derrubada de Dilma Rousseff ao virarem seus votos na votação que autorizou a abertura do processo contra a petista. Do outro, a antiga oposição ao PT, composta por PSDB, DEM, PSB e PPS. Tem seis ministérios e 117 votos na Câmara. Também foram fundamentais no impeachment. Desde 2014, associaram-se aos movimentos de rua para puxar o carro do impeachment no Parlamento. Temer tanto deve aos dois lados, que das 23 atuais pastas, 19 foram cedidas a esses dois grupos que até a semana passada jogavam unidos com o objetivo comum de derrubar a presidente. 

Caio Junqueira, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 07h34

Os dois lados agora começam a disputar o protagonismo na agenda legislativa e na relação com o novo inquilino do Planalto. O primeiro embate está exposto na escolha da liderança do governo na Câmara. São dois postulantes: o antigo oposicionista Rodrigo Maia (DEM-RJ) e André Moura (PSC-SE), aliado de Cunha. O outro é pela manutenção ou não de Waldir Maranhão (PP-MA) na presidência interina da Câmara. O centrão quer mantê-lo sob tutela de Cunha. A antiga oposição quer derrubá-lo e eleger um novo presidente. Temer até agora procura manter distância de ambos os grupos, sob a justificativa de que não interfere em assuntos dos outros Poderes. Mas todos os sinais são de que pretende pagar a fatura do impeachment a Cunha. Colocou dois tecnocratas ligados a ele próximo ao seu gabinete no Palácio e, mais do que isso, permite que ele mantenha na prática seu comando na Câmara. A despeito de o Poder Judiciário ter decidido por unanimidade afastar Cunha do mandato

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