CENÁRIO: ‘Pacote de maldade’ desagradou mesmo a Rodrigo Maia?

MP propõe aumento na cobrança de Imposto de Renda de fundos exclusivos de investimento, aumento na alíquota previdenciária dos servidores e adiamento do reajuste do funcionalismo para 2019; é muita notícia 'ruim' para a agenda de qualquer deputado

Irany Tereza, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2017 | 05h00

Se, por um lado, o fechamento por Medida Provisória do pacote para aumentar a arrecadação dá a impressão de um novo confronto entre o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por outro pode representar um alívio para o deputado. Afinal, qual parlamentar, em período de pré-campanha eleitoral, gostaria de ser o protagonista de um “pacote de maldades”?

A MP propõe aumento na cobrança de Imposto de Renda de fundos exclusivos de investimento, aumento na alíquota previdenciária dos servidores e adiamento do reajuste do funcionalismo para 2019. É muita notícia “ruim” para a agenda de qualquer deputado.

Quando Maia reclamou, no início de outubro, do excesso de MPs, estava em meio a uma sessão plenária para votação da MP da Leniência do BC, com novas regras de punição aos bancos. Não houve quórum porque a base governista estava mais empenhada em participar da comissão que discutia a segunda denúncia contra o presidente Temer.

Após o desgaste público entre Maia e o Planalto, a MP caducou, foi reapresentada como projeto de lei, teve o teto da multa aos bancos decepada de R$ 500 milhões, da proposta original, para R$ 50 milhões. E teve aprovação meteórica.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Maia reafirmou críticas, ligou MP à ditadura, mas admitiu que não vai enviar de volta ao Planalto o pacote, como chegara a ameaçar. “Não vou devolver, só vou continuar fazendo minha crítica.” Talvez, se fosse um “pacote de bondades”, comemorado pelo contribuinte-eleitor, a reação fosse diferente. No fim, talvez não tenha sido tão ruim para Maia a adoção das MPs no pacote fiscal.

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