Marcelo Camargo/Agência Estado
Marcelo Camargo/Agência Estado

No meio de incertezas, Tasso comanda a remontagem do PSDB

Tucano acabou ainda se tornando uma opção de candidatura governista, caso Temer deixe a Presidência, o que obrigaria a convocação de eleições indiretas

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2017 | 05h00

Com o governo de Michel Temer desestabilizado e com Aécio Neves fora de combate, atingidos pela delação dos executivos da JBS, coube ao experiente senador Tasso Jereissati (CE) assumir o papel central na recomposição do PSDB. Desde a semana passada, Tasso dedica quase todo o seu tempo a essa remontagem do partido e às costuras políticas para impedir que o projeto do PSDB seja inviabilizado pelo escândalo. Mais: acabou se tornando uma opção de candidatura governista, caso Temer deixe a Presidência, o que obrigaria a convocação de eleições indiretas.

Mas, na sua terceira passagem pela presidência do partido, Tasso quer mesmo é juntar os dois mundos tucanos: o antigo, liderado pelas presidências de Fernando Henrique Cardoso, com o novo, protagonizado pelos “cabeças pretas”, o grupo de tucanos mais jovens que tenta atualizar o discurso do partido e recuperar o poder político do passado.

Credenciado por ser um peso pesado do meio empresarial, ter sido governador três vezes e não ser investigado na Operação Lava Jato, Tasso deu prioridade, nos últimos dias, à montagem de um discurso único do PSDB em relação ao que fazer sobre o futuro do governo Temer.

A ideia é mostrar que o partido não abandonou o barco, cuidando apenas de suas conveniências eleitorais sem se preocupar com o futuro do País. Além disso, a discussão das reformas trabalhista e previdenciária são bandeiras defendidas pelo partido, independentemente de quem comanda o governo. “As denúncias contra o governo são gravíssimas. Mas seria uma enorme irresponsabilidade se tomássemos alguma decisão precipitada”, diz Tasso.

Mas, ao mesmo tempo, os tucanos sabem que o governo Temer está próximo de se tornar “tóxico”, e sob risco de provocar desgaste coletivo em quem se alinhar ao seu lado.

Por isso, Tasso tenta administrar as pressões internas no PSDB, para evitar que um desembarque precoce liquide as chances de aprovação das reformas, mostre o partido como oportunista e abra passagem para o retorno da oposição ao Planalto em 2018.

Lembrado como eventual candidato, Tasso tem evitado o assunto. Costuma repetir que nunca foi obcecado pelo Planalto, embora tenha tentado viabilizar sua candidatura para 2002, sendo batido internamente por José Serra (SP).

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Tasso sempre preferiu atuar nos bastidores do PSDB, como em 1994, quando ajudou a montar a candidatura vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso ou quando indicou o então aliado Ciro Gomes para substituir Rubens Ricupero no Ministério da Fazenda, no governo Itamar Franco.

Assim, Tasso trabalha para unir as pontas do partido. Com Aécio no comando, parte da ala paulista tucana se afastou das demais. O senador esteve nesta quinta-feira, 25, em São Paulo exatamente para se encontrar com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, principal líder do PSDB paulista e pré-candidato ao Planalto.

Mas, na visão da remontagem tucana, a relação com o grupo tradicional, representando por Alckmin, não exclui as novas forças.

Assim, também se reunirá com o prefeito João Doria, o neo tucano que se tornou fenômeno eleitoral ao vencer em São Paulo.

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