Cenário é favorável a novas absolvições na Câmara, diz analista

O analista político do Eurasia Group, Christopher Garman, acredita que o "acordão" que inocentou dois deputados acusados de envolvimento no esquema do mensalão não vai se estender facilmente a outros parlamentares. "Após a forte repercussão na mídia, o custo de continuar as absolvições aumentará. Para o próximo deputado a ser julgado, fica mais difícil", disse Garman, sobre o efeito das absolvições dos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP).Apesar das dificuldades para inocentar outros deputados acusados de envolvimento no mensalão, o analista político ponderou que há "um ambiente mais favorável" a absolvições no Congresso Nacional. Agora, segundo Garman, cada caso será um caso e a votação levará em conta a história e a reputação de cada envolvido. No caso de Brant, o analista ponderou que ele contava com a simpatia da Câmara por ser um deputado no quinto mandato parlamentar e bom trânsito entre as bancadas. Contra Luizinho, pesava uma acusação de ter recebido apenas R$ 20 mil, considerado pouco.Terceiro candidatoPara Garman, esse ambiente mais favorável a absolvições resultou de uma certa exaustão da crise. A media, de acordo com ele, reduziu o espaço que dava ao escândalo do mensalão. "Os jornais de televisão não cobrem o caso como no passado. As notícias entram do meio para o final do noticiário", ponderou. Assim, a opinião pública não vem acompanhando o desfecho da crise, o que facilitaria a absolvição dos acusados.O analista não acredita que as absolvições tenham impacto na sucessão presidencial. Em tese, Garman explicou que o principal beneficiário dessa situação seria um terceiro candidato à sucessão presidencial. "Esse candidato poderia querer mostrar que o PT e o PSDB são iguais", disse, referindo-se ao envolvimento dos dois partidos nas acusações. A partir da perspectiva de que a verticalização vigore na eleição, argumentou o analista, as chances de um terceiro candidato são pequenas.

Agencia Estado,

09 de março de 2006 | 14h24

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