MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Cenário: Começou há 1 ano, mas sensação é de uma década

'É pouco provável que exista retorno ou possibilidade de contramão nesta acelerada autopista rumo à desintegração do atual governo'

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 20h00

Não parece que foi ontem. Desde 15 de março de 2015, os brasileiros se entregam freneticamente a refregas em redes sociais, mesas de bar e nas ruas. Naquela altura, o maior e mais influente empreiteiro do Brasil, Marcelo Odebrecht, ainda dava expediente na sede de seu conglomerado, em São Paulo. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), era um político prestigiado e poderoso. Delcídio Amaral (PT-MS) era líder do governo no Senado. Joaquim Levy era o ministro da Fazenda que ia salvar a economia. O impeachment da presidente Dilma Rousseff era tratado como um delírio dos “coxinhas” e Lula era um mito intocável, capaz de caminhar sobre as águas. 

Porém, desde que milhares de brasileiros foram às ruas naquele 15 de março, Marcelo Odebrecht está preso em Curitiba. Eduardo Cunha é um político manco e de olho roxo, um traço triste do Congresso Nacional. O governo que Delcídio liderou diz que o senador não merece respeito. Joaquim Levy... Quem é mesmo Joaquim Levy? O impeachment de Dilma é uma realidade e Lula recebe um convite por dia para virar ministro e, com isso, escapar da Lava Jato. 

É pouco provável que ainda exista um retorno ou até mesmo a possibilidade de andar na contramão nesta acelerada autopista rumo à desintegração do atual governo. 

Começou há exatamente um ano, mas a sensação é de uma década. A estabilidade política que perdurou, entre um e outro sobressalto, nos quatro mandatos da dupla FHC e Lula é coisa do passado. Diálogo, conciliação e concertação são verbetes de um dicionário amarelado pelo tempo.

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