Cenário: Após tentativas frustradas sob Lula, um novo momento

Apesar de ainda não se saber muita coisa sobre o programa Brasil Sem Miséria, uma das prioridades do governo Dilma Rousseff, já é possível perceber que pretende resolver algumas questões que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva já havia tentado solucionar, sem sucesso. Quem acompanha o desenvolvimento do Bolsa Família deve lembrar, por exemplo, que, em 2009, o então ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, anunciou com estardalhaço um plano de qualificação profissional dos beneficiários daquele programa. Não deu em nada. Na mesma época surgiu uma campanha destinada a alcançar os grupos populacionais mais excluídos, mais miseráveis, que ainda não faziam parte do cadastro do Bolsa Família. Falou-se muito em moradores de rua, ciganos, interior da Amazônia. Também não deu em nada.

Roldão Arruda / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 16h12

 

O cenário agora é diferente. Existem mais oportunidades de trabalho, o que deve servir como estímulo para a busca de capacitação profissional e escolaridade. Os serviços de assistência social também aperfeiçoaram os sistemas de cadastramento, o que permite chegar mais facilmente aos mais pobres.

 

Outra diferença é que o governo está mudando a forma de olhar para as áreas de assentamento da reforma agrária, que, em vários lugares do País, especialmente na Amazônia, se transformaram em focos de extrema pobreza e não em centros produtores de alimentos. Na entrevista das duas principais articuladoras da Brasil Sem Miséria, Tereza Campello e Ana Fonseca, publicada nesta edição, chama a atenção o destaque que dão à entrada em cena da eficiente Embrapa, para estimular a produção dos mais carentes. Curiosamente, a medida aproxima os assentamentos do Ministério da Agricultura, do qual o Movimento dos Sem-Terra sempre quis distância.

 

Por último, vale lembrar que Ana e Tereza também foram as articuladoras do bem sucedido Bolsa Família. Devem saber bem o que dá certo nele e o que emperra.

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