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Cenário: Após denúncias contra tucanos, Doria avalia como escapar do desgaste da 'marca' PSDB

O governador busca uma fórmula para evitar que sua eventual candidatura à Presidência seja contaminada pelo noticiário policial que atinge o partido

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 05h00

Denúncias recentes contra o senador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin reacenderam a disposição de uma ala do partido que prega a construção de um “novo” PSDB. Capitaneada pelo governador João Doria, esse grupo defende até uma espécie de reciclagem de marca para a sigla, afastando nomes antigos da tomada de decisão e aposentando o símbolo histórico da legenda: o tucano. O termo “desplugamento” do passado e de personagens sob investigação está presente em rodas de conversas do governador. Doria busca uma fórmula para evitar que sua eventual candidatura à Presidência seja contaminada pelo noticiário policial que atinge o partido.

No cálculo de aliados do governador, tentar mudar a imagem do PSDB é uma opção menos traumática – do que uma troca de legenda, por exemplo. Embora existam siglas dispostas a abraçar o projeto pessoal de Doria, como o PSD de Gilberto Kassab, a estrutura do PSDB ainda garante ao governador significativa capilaridade em São Paulo – capital e interior do Estado, o principal colégio eleitoral e o segundo maior orçamento do País, atrás apenas do governo federal. 

Em conversas reservadas, Doria descarta neste momento retomar internamente uma defesa da mudança do nome da legenda – como já chegou a propor – ou a fusão do PSDB com outra sigla. Em 2019, o partido contratou pesquisas quantitativas e qualitativas em que mais de 3 mil pessoas foram entrevistadas. Troca de nome ou fusão não tiveram boa recepção. O grupo aliado do governador, porém, busca excluir o símbolo tucano. O argumento é que ele representa a marca da indecisão ou do “muro”. A ave não está mais presente no diretório estadual do PSDB, que estampa em letras garrafais “Novo PSDB” na sala de reuniões. 

A ala ligada ao prefeito paulistano Bruno Covas, contudo, resiste a este mote de Doria. O prefeito pretendia resgatar e dar poder a antigos quadros do partido, como o ex-senador José Aníbal, mas o governador quer abrir espaço para novos quadros e se distanciar do programa social democrata europeu que marcou o nascimento do PSDB

Doria quer moldar a sigla: torná-la mais jovem e mais liberal. Para isso, terá de impor a nova narrativa e, de fato, controlar a burocracia partidária além do Estado. Na última vez que tentou – ao trabalhar pela expulsão do deputado Aécio Neves (MG) –, não teve sucesso.

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