CENÁRIO: Alvo de cobiça

Ministério das Cidades tem o 11.º Orçamento da Esplanada, mas comanda programas com impacto direto nas bases eleitorais

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 03h00

Alvo de cobiça de aliados, o Ministério das Cidades tem o 11.º Orçamento da Esplanada – são R$ 10,1 bilhões previstos na Lei Orçamentária de 2018 –, mas comanda programas com impacto direto nas bases eleitorais, como construção de moradia, redes de esgoto e transportes urbanos. Essas três áreas recebem verbas do FGTS, com obras financiadas a juros baixos, e cuja decisão de aplicação tem influência direta do titular da pasta – o Conselho do FGTS é presidido pelo ministro do Trabalho e o vice é o das Cidades.

A relevância da pasta fica ainda mais clara quando se analisam as emendas parlamentares. É a fatia de recursos públicos que deputados e senadores decidem onde gastar. Cidades é o quarto ministério que mais recebeu emendas no Orçamento de 2018 – são R$ 9,1 bilhões, atrás de Saúde, Educação (que obrigatoriamente recebem 50% das emendas individuais) e Transportes. 

Com isso, o dinheiro obedece a decisões políticas para atender aos redutos eleitorais. As intervenções mais vistosas do ministério estão na área habitacional, por meio do Minha Casa Minha Vida. Além disso, o Cartão Reforma, lançado nesta segunda-feira, 13, é uma das principais bandeiras de Temer, com R$ 850 milhões para atender 182 mil famílias de baixa renda. 

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