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Celso Amorin defende engajamento de diplomatas

Em um discurso que abalou uma dasprincipais tradições da diplomacia brasileira, o ministro das RelaçõesExteriores, Celso Amorim, defendeu nesta segunda-feira o ?engajamento? dos funcionários da casa com a orientação política do atual governo. Pelaprimeira vez, um chanceler rompeu a máxima de que o diplomata é umfuncionário de Estado e que, portanto, estaria acima das diretrizesideológicas do Palácio do Planalto e do jogo político cotidiano. Até hoje, esse era um dos princípios repetidos à exaustão durante toda aprincipal carreira do Itamaraty, desde o ingresso de um cidadão aoInstituto Rio Branco (IRB), o centro educacional dedicado à formação e aoaperfeiçoamento dos diplomatas, até sua promoção aposentadoria.Durante a cerimônia de posse do subsecretário-geral de Assuntos deAmérica do Sul, embaixador Luiz Felipe de Macedo Soares, e de suaequipe, Amorim ressaltou que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula daSilva ao Itamaraty ?não é retórico, mas real e material?. O exemplo queutilizou foi justamente o da criação SGAS, uma nova estrutura queconcentrará as prioridades do novo governo nas relações políticas eeconômico-comerciais do Brasil com seus parceiros do Mercosul e orestante do continente. Amorim, entretanto, enfatizou que todo processode mudança de governo requer naturalmente uma avaliação da ?afinidadedas pessoas com as novas orientações políticas?, além do reconhecimento da competência profissional. ?Acho que você tem de estar entusiasmadamente engajado com aquilo queestá fazendo; não pode fazer burocraticamente?, reafirmou Amorim ajornalistas, logo ao final da cerimônia. ?Ninguém vai pedir certificadoideológico para ninguém no Itamaraty, e nós temos toda confiança nalealdade e no profissionalismo. Mas é natural que você escolha aspessoas que darão mais eco àquilo que você quer fazer em cada função?.Aos jornalistas, Amorim tentou amenizar o tom de suas declaraçõesanteriores ao explicar que, obviamente, os diplomatas continuam adesempenhar suas funções como funcionários do Estado brasileiro,trabalhando por objetivos sustentáveis a longo prazo. ?Mas isso nãoimpede que os governos tenham suas orientações e prioridades. Nósconhecemos a natureza humana. É preciso sempre que as pessoas estejam mais ou menos entusiasmadas?. O chanceler emendou com sua própria experiência profissional. Lembrouque concluiu o IRB em 1965, durante o regime militar. Comoterceiro-secretário, o primeiro degrau da sua carreira de 38 anos nadiplomacia, escolhera uma área ?mais apagada? para trabalhar noItamaraty ?para não me meter em coisas que eu não queria?. Entretanto,durante o governo do general João Batista Figueiredo, Amorim conduziu aEmbrafilme entre 1979 e 1982, quando já alcançara o quarto degrau(conselheiro) e acabou promovido a ministro da carreira ? o últimopasso antes de um diplomata ser chamado de embaixador.

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