Celso Amorim defende entrada da Venezuela no Mercosul

Ministro diz ainda que uma das razões pela qual o País está menos suscetível é diversificação do comércio

Entrevista com

Paulo Maciel, da Agência Estado,

25 de março de 2008 | 04h44

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu a entrada da Venezuela no Mercosul durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira, 24. "Com a entrada da Venezuela, o potencial do Mercosul é ser o mercado comum, ou pelo menos um processo de integração de toda a América do Sul", ponderou. Segundo ele, apesar da "retórica" anticapitalista de Hugo Chávez, os empresários brasileiros que investiram na Venezuela não têm do que reclamar. Questionado se as negociações comerciais com aquele país não seriam uma forma de "neutralizar" a importância de Chávez no continente, Amorim minimizou: "Eu acho que nós podemos ter uma influência positiva. Nós não queremos neutralizar." Ainda sobre acordos comerciais e apesar de reconhecer que um com os Estados Unidos poderia favorecer alguns setores da economia brasileira, Celso Amorim acredita que foi melhor para o Brasil não ter ainda entrado para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). "Hoje eu vejo importantes economistas norte-americanos dizerem que uma das razões pela qual o Brasil está menos suscetível às crises é que o nosso comércio se diversificou", sobre a opção de procurar acordos comerciais com outros países emergentes. "Se nós tivéssemos entrado para a Alca, não só o comércio teria se concentrado mais, sobretudo em relação ao mercado norte-americano, mas também nós estaríamos muito mais vulneráveis do ponto de vista de balanço de pagamentos", afirmou Amorim. Celso Amorim reconheceu que, apesar das dimensões continentais do País, o Brasil não pode permanecer à margem dos grandes blocos comerciais hoje existentes. "A China em si é um grande bloco, a Índia é um grande bloco, os Estados Unidos são um bloco e a União Européia é um bloco. Nós não podemos ficar isolados", afirmou o ministro.  Doha Sobre as negociações da Rodada Doha, sem se comprometer com um prazo para a conclusão das negociações, Amorim sustentou que, se no ano passado havia uma "janela de oportunidade" para a conclusão do acordo, agora haveria uma "janela de necessidade", referindo-se à crise financeira internacional. A expectativa dele é de que o acordo seja fechado em bases mais positivas do que o negociado há quatro anos em Cancún. "O pior resultado que haja hoje será muito melhor do que o melhor resultado que poderia ter havido em Cancún." Paraguai e Itaipu Depois do imbróglio com a Bolívia envolvendo os contratos de fornecimento de gás natural, agora o Brasil pode enfrentar um problema parecido com o Paraguai. Os principais candidatos a presidente daquele país defendem uma renegociação do acordo de Itaipu. "Mas para renegociar o tratado de Itaipu o Brasil também tem que concordar", avisou o ministro, lembrando que o acordo não pode ser rompido unilateralmente. Como nas negociações com Evo Morales, o Brasil deverá oferecer recursos para o desenvolvimento paraguaio para que aquele país possa usar a parte dele da energia gerada em Itaipu. "Nós estamos buscando construir uma linha de transmissão reforçada para Assunção", que, segundo o ministro, é deficiente em energia elétrica. Também haveria incentivos para a instalação de indústrias de uso intensivo de energia naquele país. "É a melhor maneira de ajudar no desenvolvimento do Paraguai", sentenciou.

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