Ceará volta a adiar entrega de cestas básicas

O governo do Ceará adiou mais uma vez a distribuição de 215 mil cestas básicas para os flagelados da seca. A entrega deveria ter começado hoje, conforme havia garantido, na semana passada, o coordenador da Defesa Civil, João Alfredo Pinheiro. Todos os alimentos já se encontram nos postos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Mas ainda falta montar as cestas e contratar o pessoal terceirizado para a distribuição nos municípios. Pinheiro acredita que, até a próxima sexta-feira, esses trabalhos estarão concluídos. A data de entrega aos agricultores, no entanto, ainda não foi definida."A demora acirrará ainda mais os ânimos no interior cearense", diz César Gondim, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Ceará (Fetraece). Na opinião dele, o governo estadual já deveria ter decretado estado de calamidade. "Evitaria tanta burocracia. Agora, vai ter que ser feita licitação para tudo", reclamou o sindicalista. Ele confirma para amanhã mais uma grande manifestação. Desta vez, reunindo 19 municípios da região dos Inhamuns, uma das mais castigadas. "A fome está deixando todo mundo desesperado. Pode haver até saques", disse Gondim. A distribuição das cestas é vista apenas como "paliativo" pelos agricultores atingidos pela seca. Eles reivindicam frentes de serviço. Possibilidade esta já descartada pela Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR). Segundo o órgão, em agosto, será posto em prática o sistema de "seguro agrícola", que consiste em indenizar os agricultores que perderam a safra e, em contrapartida, exigir que eles cumpram metas relacionadas ao ensino.

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