CCJ suspende sessão tumultuada e tensa sobre CPI do Apagão

Após tumulto e bate-boca entre os parlamentares, a sessão da CCJ que discute recurso do PT para engavetar a CPI do Apagão Aéreo foi suspensa e será reaberta depois da sessão da Câmara, prevista para acabar às 19 horas. Na Câmara, a oposição faz mais uma tentativa para evitar a votação do recurso do PT e deve ter sucesso. PSDB, PFL e PPS protocolaram um requerimento na secretaria da Mesa na tarde desta terça-feira, 20, e aguardam o retorno do presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para aceitar o pedido. Como o requerimento é regimental, Chinaglia é obrigado a aceitar. E, de acordo com a secretaria da Mesa, quando o presidente aceitar o requerimento, o recurso não poderá mais ser votado pela CCJ. O documento argumenta que o prazo regimental de três sessões para a CCJ decidir sobre a instalação da CPI já acabou e que, por isso, o recurso deve voltar ao plenário. Na linguagem parlamentar é o que se chama de "avocar para o plenário". O governo tem maioria tanto na CCJ quanto no plenário para derrotar a oposição. A intenção é sinalizar ao Supremo Tribunal Federal - a quem caberá a palavra final sobre a instalação da comissão - que a posição da Câmara é amplamente contrária à CPI. Depois de votado na CCJ, o recurso terá ainda de ser votado pelo plenário da Câmara. Pauta trancada por MPs do PACA oposição - PSDB, PPS e PFL - havia proposto votar as medidas provisórias que trancam a pauta em troca da desistência do governo em engavetar a CPI do Apagão. Sem acordo sobre, 12 MPs continuam a trancar a pauta de votação, oito delas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sem previsão de quando serão votadas. O PAC - anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 22 de janeiro deste ano - prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 em infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento. O objetivo é destravar a economia e garantir a meta de crescimento de 5%. ´Isso é uma manobra´O relator do recurso do PT na CCJ, Colbert Martins (PMDB-BA), concordou com um pedido apresentado pelo PT, alegando que a CPI tem de ser suspensa por não haver fato determinado para sua criação.No entanto, por volta das 11 horas, depois de o presidente da CCJ, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), ter colocado o parecer de Colbert em votação, a sessão tornou-se tumultuada. "Golpista, isso é uma manobra", gritou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), um dos mais exaltados. Os demais oposicionistas também gritaram e batucaram nas mesas para impedir a votação. Outro momento tenso foi quando o deputado Julio Redecker (PSDB-RS) ameaçou agredir o presidente da CCJ. Redecker se sentiu ofendido porque Picciani, momentos antes, havia pedido que ele parasse de levantar leviandades contra a forma que estava conduzindo os trabalhos da CCJ. Vários deputados seguraram Redecker para que a briga não ocorresse. Antes de suspender a sessão, Picciani declarou: "Não tenho medo de cara feia nem de ameaças. A reunião do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), com os líderes partidários nesta terça-feira também resultou em mais uma tentativa fracassada de acordo entre governo e oposição em torno da CPI do Apagão Aéreo.Texto ampliado às 16h52

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