CCJ ouve corregedor da Receita sobre quebra de sigilos na terça

Antonio Carlos D'Ávila fala à Comissão de Constituição e Justiça após demanda da oposição ao governo

Andrea Jubé Vianna, da Agência Estado

27 de agosto de 2010 | 16h38

BRASÍLIA - O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D'Ávila, será ouvido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima terça-feira, 31, às 10 horas, em mais um capítulo da investigação sobre a quebra de sigilo dos dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. A audiência pública será realizada em meio ao esforço concentrado de votações convocado para terça e quarta-feira , 1.

 

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A revelação de que mais três pessoas ligadas ao alto comando do PSDB - Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado - também tiveram os dados fiscais violados por funcionários da delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista, acrescentou ingredientes explosivos ao episódio, que a oposição imediatamente associou à corrida presidencial.

 

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a acusar sua adversária e líder das pesquisas, Dilma Rousseff (PT), de determinar a violação dos sigilos para confeccionar dossiês contra os tucanos que serviriam de munição contra ele na campanha eleitoral. Em resposta, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, anunciou que o partido vai mover ações penais por calúnia e injúria contra o tucano e acusou a oposição de criar "factoides e armações" para tumultuar a campanha.

 

É nesse cenário explosivo que o corregedor da Receita será questionado pelos senadores, principalmente da oposição, quanto à necessidade de rápida apuração do crime. O pedido para ouvi-lo partiu do vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). Ontem representantes do PSDB, DEM e PPS encaminharam à Procuradoria Geral da República um pedido para que o órgão intervenha na sindicância da Receita, a fim de acelerar a investigação.

 

Em entrevista coletiva hoje, D'Ávila revelou que a Corregedoria da Receita identificou um esquema criminoso de compra e venda de dados sigilosos da Receita Federal e descartou interesse político-partidário na comercialização das informações. Ele complementou que, na próxima segunda-feira, 30, a Corregedoria vai encaminhar ao Ministério Público representações contra duas servidoras suspeitas de participar do esquema: Adeildda Ferreira Leão e Antônia Aparecida Rodrigues, ambas lotadas na delegacia fiscal de Mauá.

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