CCJ deve ouvir corregedor da Receita na terça-feira

O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D''Ávila, será ouvido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na terça-feira, em mais um capítulo da investigação sobre a quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. A audiência pública será realizada em meio ao esforço concentrado de votações convocado para o mesmo dia e a quarta-feira.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

27 de agosto de 2010 | 16h51

A revelação de que mais três tucanos ligados ao alto comando do partido - Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Preciado - também tiveram os dados fiscais violados por funcionários da delegacia da Receita Federal em Mauá, no ABC paulista, deu mais destaque ao episódio, que a oposição imediatamente associou à corrida presidencial.

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a acusar sua adversária e líder das pesquisas, Dilma Rousseff (PT), de determinar a violação dos sigilos para confeccionar dossiês contra tucanos que serviriam de munição contra ele na campanha eleitoral. Em resposta, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, anunciou que o partido vai mover ações penais por calúnia e injúria contra Serra e acusou a oposição de criar "factoides e armações" para tumultuar a campanha.

É nesse cenário que o corregedor da Receita será questionado pelos senadores, principalmente da oposição, quanto à necessidade de rápida apuração do crime. O pedido para ouvi-lo partiu do vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR). Ontem, representantes do PSDB, do DEM e do PPS encaminharam à Procuradoria Geral da República um pedido para que o órgão intervenha na sindicância da Receita, a fim de acelerar a investigação.

Em entrevista coletiva realizada hoje, D''Ávila disse que a corregedoria identificou um esquema criminoso de compra e venda de dados sigilosos da Receita e descartou interesse político-partidário na comercialização das informações. Ele complementou que, na segunda-feira, a corregedoria vai encaminhar ao Ministério Público (MP) representações contra duas servidoras suspeitas de participar do esquema, ambas lotadas na delegacia fiscal de Mauá.

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